Pesca & Lazer

História de Pescador: Jaú do Paraguai


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“Somos irmãos gêmeos, Hélio e Rui, o que nos diferencia é apenas o gênio, mas o que temos em comum é que somos gêmeos univitelinos, naturais de Pirajuí, e ganhamos o apelido de “Fordinho”, isto porque meu pai tem o apelido de “Ford” e nossos amigos não tinham como nos distinguir, nos colocaram este apelido, no entanto não estamos aqui para contar história de gêmeos e sim de pescador que somos, mas pescador que não mente: “Mata a cobra e mostra o pau”.

Todos os anos vamos pescar no rio Paraguai, precisamente em Albuquerque - um distrito que fica 50 km antes de Corumbá, conhecido como Baia de Albuquerque, e ali temos opção de pescar no rio Paraguai- Miranda onde este deságua.

No patrimônio é só perguntar dos gêmeos que todos nos conhecem e ao saber que vamos chegar, na escola, as crianças nos aguardam. É que somos amigos da escola - levamos material escolar, doces, brinquedos e roupas para as crianças. Sempre pegamos vários peixes - pintado, pacu, piauçu, barbado, dourado e jaú.

Então em 1999, no mês de outubro, estávamos pescando no rio Paraguai e era o último dia, tínhamos ido cedo à Bolívia, onde fizemos algumas compras, e fomos ao rio depois do almoço. Aquele dia estava péssimo. No final da tarde, já para irmos embora, quando estávamos pescando de rodada, eu, meu irmão Rui e nosso amigo Zanone (que apelidamos de Sargento Garcia - da série Zorro - por sua semelhança), percebi que algo estava na isca, mas não conseguia fazer com que o mesmo desse aquele puxão. Estava levando um baile, quando Zanone disse: “engana ele, quando ele der novamente este puxãozinho, dê mais linha”. O que fiz, azar do peixe, que engoliu tudo, embarquei o danado, era um exemplar de jaú - que brilhava de tão amarelo - não deu a medida obrigatória - então tirei a foto e retornei ao rio, mesmo não tendo pego nada aquela tarde.

Voltamos todos os anos para pescar e, em 2001, no mês de junho, fomos pescar no rio Paraguai. No último dia como fazemos sempre, fomos à Bolívia fazer compras e voltamos para pescar após o almoço. Estávamos pescando de rodada somente eu e meu irmão, e tínhamos pegado vários barbados e como era o último dia resolvemos continuar a pescar à noite. Lá pelas 22h, irmão Rui disse: “Vamos embora”. Aí falei: “Vamos dar a última rodada, mas vai para o barranco no rebojão”. Então, fui trocar a tralha, pegar uma vara e molinete maior, pois pressenti que iria pegar algo bom, mas meu irmão disse: “não vai trocar que esta é pegadeira”. E começamos a última rodada, quando percebi um puxão, mais parecia um enrosco. Quando o bicho pegou e puxou de uma vez, gritei: “Mano esse é grande!”, e já fiquei preocupado pois a tralha (pegadeira) era fraca. Meu irmão recolheu a sua vara e veio me ajudar. Fui tentando sem me apressar, pois o equipamento não era adequado para o tamanho do peixe. Tive sorte, pois o danado veio de encontro à superfície, e só quando chegou perto do barco que o bicho boiou. Era um jaú, conseguimos embarcar, aí falei para o mano: “Agora podemos ir embora”. Voltamos para o rancho e foi a maior surpresa para os nossos amigos, ninguém tinha pegado nada, aquela noite. Voltamos com seis barbados e o jaú, que depois de limpo pesou 16 kg.

Aí vem o piloteiro do rancho, cujo apelido é “Salva Vida” - não sei por que, como pode um piloteiro profissional quase mata um padre de susto, pois capotou o barco no meio do rio Paraguai e tem esse apelido -, disse aos companheiros: “Eu não disse procês que os gêmeos é pescadô! É só i atrais deles que vocês pega”.

Amigos pescadores e leitores, no entanto, o que aconteceu na verdade é que aquele jaú que soltei há dois anos, o qual não deu a medida, tive a recompensa de pegar aquele exemplar - tudo isso não é apenas história de pescador e sim saber preservar, obedecer as regras - que sempre a natureza nos recompensará.

Aí está a foto que não deixa o pescador mentir e que em toda história, no fundo, existe sempre uma verdade.

Só que tudo isso vocês não sabem. Quando retornei o jaú ao rio, disse a ele bem baixinho para crescer que voltaria para pescá-lo. Esse combinado, meu irmão veio a saber quando embarcamos o jaú (o que combinei com o peixe, ele cumpriu).”

Hélio Virgílio é pescador, gêmeo de Rui, ambos moradores de Pirajuí.

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