Botucatu - O Laboratório de Monoclonais da Faculdade de Medicina e do Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) está fabricando reagentes monoclonais utilizados em todas as transfusões de sangue e que são importados atualmente com alto custo para a hemorrede pública e bancos de sangue de todo o País.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o volume produzido é ainda pequeno, mas abastece as unidades de saúde de sete cidades vizinhas a Botucatu, a custos muito menores do que os similares importados.
Esse fato foi um dos temas da exposição que a Unesp apresentou, em São Paulo, durante o 2º Salão e Fórum de Inovação Tecnológica & Tecnologias Aplicadas nas Cadeias Produtivas - evento promovido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Segundo os responsáveis pelo Hemocentro e pelo Laboratório de Monoclonais da Faculdade de Medicina de Botucatu, a instituição espera que parceiros da área privada possam se interessar pela tecnologia desenvolvida na unidade e realizar investimentos que resultem em um aumento no volume de produção, de forma a abastecer o mercado nacional e gerar, diretamente, uma redução de custos para o sistema de saúde.
O Laboratório de Monoclonais de Botucatu produz, com modernos métodos de fusão e reengenharia celular e rigoroso controle de qualidade, reagentes anti-A, anti-B, anti-AB, para tipagem sanguinea ABO; anti-M, anti-N, anti-Lua, anti-Lub, todos imprescindíveis em laboratórios de imuno-hematologia.
Além disso, produz anticorpos para Teste de Coombs indireto e direto, utilizados para diagnóstico de doença hemolítica do recém-nascido, para preparação de toda transfusão sangüínea e diagnóstico de doenças auto-imunes.
O laboratório produz ainda os anticorpos antiglicoforina humana, utilizados na caracterização protéica da membrana eritocitária, e os anticorpos monoclonais murinos dirigidos contra antígenos suínos da raça Large White - aplicáveis em protocolos de transplantes experimentais de órgãos de animais para seres humanos (xenotransplantes).
A produção dos reagentes monoclonais em Botucatu é resultado de um trabalho iniciado há cerca de dez anos por uma equipe do Hemocentro liderado pela docente e pesquisadora brasileira Elenice Deffune e que, anteriormente, havia atuado em centros de pesquisa europeus.
Para o diretor do Hemocentro, o médico José Mauro Zanini, e para a bióloga Maria Inês Moura Campos Pardini, do Laboratório de Monoclonais, o desenvolvimento dos reagentes monoclonais revela a capacidade dos pesquisadores brasileiros e as possibilidades de sua contribuição efetiva à melhoria do sistema público de assistência à saúde no País.