Bairros

Projetos ultrapassam limite da cidade

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Os trabalhos de cunho social desenvolvidos pelas universidades instaladas em Bauru extravasam os limites do município. Alguns deles são desenvolvidos em cidades da região e outros atendem comunidades de outros Estados brasileiros.

O Projeto Rondônia, da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da Universidade de São Paulo (USP), é um deles. Ele consiste em levar atendimento médico, veterinário, odontológico e fonoaudiológico ao município de Monte Negro, em Rondônia.

Participam dele profissionais e voluntários de Bauru, Ribeirão Preto, e do Rio Grande do Sul, além de Rondônia. Periodicamente, um grupo desloca-se para trabalhar no local. No mês de julho, a equipe de odontologia de Bauru atendeu mais de 2 mil pacientes e realizou mais de 5 mil procedimentos diversos.

De acordo com o professor José Roberto de Magalhães Bastos, do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva da FOB/USP, a USP também tem trabalhos comunitários em cidades da região, como Lençóis Paulista, São Manuel, Agudos e Santa Cruz do Rio Pardo.

Nessas cidades, são feitos levantamentos epidemiológicos e auxílio no planejamento de atividades municipais.

Localmente, a FOB desenvolve projetos de cidadania há mais de 30 anos. Segundo o professor, eles têm como objetivos básicos o ensino, a pesquisa e a extensão dos serviços à comunidade.

Os atendimentos em Bauru são feitos nas clínicas do próprio câmpus da universidade ou em áreas de treinamento instaladas nos bairros. Atualmente, elas estão no Jardim Redentor e na Casa do Garoto, no Parque Vista Alegre.

“A assistência comunitária é feita a partir de alunos de graduação e pós-graduação. Damos atendimento integral durante o ano todo”, enfatiza José Roberto.

Nas entidades em que a FOB trabalha, a clientela é principalmente de crianças em fase escolar e pré-escolar. “São os braços estendidos da FOB para a comunidade”, salienta o professor.

Ele afirma que quanto mais esforço há para o ensino e a pesquisa, mais pessoas são atendidas através dos programas.

José Roberto diz, ainda, que a finalidade dos projetos não é fazer assistencialismo. “Nesta área, quando se faz ensino e pesquisa, também se tem um papel social. A assistência decorre do fato do nosso ensino e da nossa pesquisa serem de ponta”, ressalta.

Alunos

“Vale muito a pena. É revigorante. Você vê que a população precisa daquilo e o que você faz é bem recebido. As pessoas te procuram”, diz Ricardo Henrique Alves da Silva, mestrando da FOB.

“De crianças a idosos, todos tratam muito bem a gente, com muito carinho. É gratificante”, acrescenta.

Ricardo Pianta, aluno de especialização em Saúde Coletiva do Centrinho, diz que o trabalho comunitário é a melhor experiência prática de todo o conhecimento acadêmico.

“Você vê o que você pode levar àquela população que é totalmente carente. Eles querem te agradar e te agradecer da melhor maneira possível”, observa.

Na opinião de Pianta, desta forma, a universidade contribui com a formação do aluno e presta atendimento à comunidade.

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Receptividade estimula voluntários

A receptividade que os projetos comunitários têm entre a população dos bairros de Bauru é um fator que estimula os voluntários das universidades.

No Núcleo de Apoio Sócio-Familiar (NAF) do Parque Jaraguá, por exemplo, o trabalho desenvolvido por estagiárias da Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE) é muito bem recebido pela comunidade.

“O NAF é o referencial deles. Somos muito respeitadas aqui. Eles vêem que isso é bom para eles”, diz Ângela Maria Alves Silva, aluna da ITE.

Ela afirma que a demanda para as atividades oferecidas no NAF é bastante grande. “É importantíssimo para a comunidade. Para mim, é muito gratificante. Isso nos dá um ótimo embasamento da prática. É imprescindível. Na faculdade, nós vemos a teoria”, afirma Ângela.

A universitária Bárbara Eliza Pagliaci, também da Faculdade de Serviço Social da ITE, explica que o NAF do Parque Jaraguá é uma parceria entre ITE e a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).

No local, são oferecidos cursos de geração de renda e de preparação para o mercado de trabalho, rodas de conversa e oficinas culturais, como de dança e de artes plásticas.

“É um trabalho de extensão que proporciona aos estagiários o exercício da prática. Ele também possibilita à população ter acesso aos serviços a que eles têm direito”, diz.

Para a estudante Ana Carolina da Silva Vecchi, da ITE, o trabalho comunitário visa suprir, ainda, a carência afetiva dos moradores de bairros periféricos.

“Estamos aqui para viabilizar o que é direito deles, que são conquistados a cada dia no projeto. Todos têm direito ao acesso à cultura, ao lazer, à alimentação, vestuário. Aqui, procuramos proporcionar isso”, enfatiza.

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