A crença em transformações é o que leva grande parte dos voluntários a procurar projetos comunitários voltados para a cidadania. Eles acreditam que a mudança ocorre a partir da educação.
“Eu tive interesse em mostrar para eles que é possível mudar as coisas se eles tiverem união e força de vontade. É para melhorar a comunidade”, expõe Vinícius Benites Alves, aluno de biologia da Universidade do Sagrado Coração (USC), que há três anos desenvolve trabalhos de cunho social.
Na opinião do universitário, os programas de cidadania fazem bem não apenas às pessoas atendidas, mas também aos voluntários. “É uma troca. Para mim, é uma experiência de vida fundamental; muito importante”, frisa.
Andréia Cristiane Piva, aluna de psicologia, conta que engajou-se em projetos sociais por vontade de passar a outras pessoas os conhecimentos adquiridos na faculdade. “Para ajudar e participar de uma realidade diferente da nossa”, explica.
Suelen Corazza de Alice diz que o período em que trabalhou no projeto Criança 2000 foi uma fase “maravilhosa” de sua vida. “Uma vez que você é tocado pelo espírito social, você nunca mais pára de trabalhar com isso.”
O aluno de nutrição João Henrique Dias já participou de cinco projetos sociais da USC. Agora, ele está trabalhando numa comunidade da Bahia com prevenção e educação sobre o problema do lixo.
“É uma oportunidade de colocar em prática o que aprendemos em sala de aula, ajudando pessoas carentes”, diz.
Extensão
A coordenadora pedagógica dos projetos sociais da USC, Maria Aparecida Corazza, afirma que há mais de 40 projetos cadastrados no Núcleo de Projetos Humanitários da universidade.
Os trabalhos estão sempre vinculados ao ensino, pesquisa e extensão. “A USC, enquanto uma universidade católica e comunitária, tem essa função de prestar serviços à comunidade”, diz.
O objetivo comum entre as dezenas de projetos são as ações sócio-educativas. “São projetos que têm sempre uma continuidade. Visam sempre o bem-estar da comunidade - melhorar as condições de vida das populações carentes”, expõe Maria Aparecida.
Os projetos são multidisciplinares e buscam trabalhar a formação integral da pessoa assistida - com atendimento médico, espiritual, educacional.
“Não basta chegar numa comunidade e falar que a criança tem que estudar, se ela não tem comida em casa. Não dá para falar em Deus se ela está morrendo de dor de dente”, explica.
Segundo a coordenadora pedagógica, as parcerias são fundamentais para que os projetos tenham êxito. A USC tem parcerias com ONGs e com o governo federal.
“Os trabalhos comunitários geram pesquisa, enriquecem o aluno e a instituição”, acrescenta Maria Aparecida.
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Programas da disciplina
Programas de Cidadania é o nome de uma disciplina pela qual passam os alunos de todos os cursos da Universidade do Sagrado Coração (USC). O objetivo é desenvolver trabalhos que priorizem a atuação do universitário na comunidade.
“É uma forma dele ser motivado para a atividade social e de cidadania”, diz José Rafael Mazzoni, professor da disciplina, que foi criada em 1994.
Os estudantes formam grupos multidisciplinares para atuar em locais como escolas, creches, asilos, penitenciárias e outras instituições. São cerca de 650 projetos. “Há uma concorrência muito grande para trabalhar na penitenciária”, afirma Mazzoni.
Também faz parte da disciplina a elaboração de cartilhas sobre temas diversos, ligados à cidadania: água, prevenção ao câncer, direitos e deveres da mulher, guia do trabalhador rural, noções básicas do direito do cidadão, primeiros socorros, direitos e deveres do paciente, entre outros.
O professor salienta que os trabalhos parecem pequenos, mas têm grande dimensão social. “Ninguém está dando aula de cidadania. Estamos oportunizando um espaço do exercício da cidadania na dimensão social. Ninguém vive sozinho”, enfatiza.
Mazzoni acrescenta, ainda, que outro objetivo da disciplina é despertar o aluno para não ser um profissional que busca apenas dinheiro, mas sim realização pessoal.
“Eu me satisfaço de pensar que a universidade cumpre o papel dela - o papel social”, conclui.