O limite de tolerância é reduzido em pessoas vitimadas pelo estresse e as torna vulneráveis a atitudes inadequadas. A correlação é da doutora em psicologia Sandra Calais, docente em terapia comportamental da Unesp-Bauru, que foi consultada pelo JC para avaliar a conduta dos servidores que atuam nas unidades de urgência e emergência.
Segundo ela, ambientes estressantes como prontos-socorros influenciam na paciência e nas relações humanas de uma forma negativa, mas não podem justificar comportamentos mal educados.
“Eu vejo que o comportamento inadequado verificado nesses locais tem muito a ver com a falta de controle. O funcionário lida com gente que não paga diretamente - mas através de impostos -, que é pouco privilegiada e não tem força política. É como bater em criança. Não há reação à altura. Por outro lado, o usuário também tem pouca compreensão das regras e já vai ao PS prevendo que será mal atendido. O problema vem dos dois lados”, ponderou.
A solução, na opinião de Calais, viria a partir da cobrança organizada de um tratamento digno por parte da população e no controle rígido dos atos do funcionalismo por parte da instituição. “Isso é quase uma utopia, mas seria o ideal. Enquanto isso, o que vemos é uma nivelação por baixo. O comportamento ruim de uns acaba contaminando os bons”, avaliou.