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Satisfação que não vem


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Lamenta-se ficar sabendo de que tão cedo o País não se livrará de sua tradicional pobreza extrema. Vai ter a população de continuar por muito tempo carregando nas costas o pesado fardo. É o que antecipam a Organização das Nações Unidas e outros órgãos pesquisadores universais anunciando terem dado ao Brasil prazo até 2015 para se recompor e, no entanto, têm certeza absoluta de que “este Brasil tão grande e amado” não terá condições nenhuma para atender em tempo à intimação, uma vez que “o seu diminuto crescimento econômico, que de maneira alguma ajuda na distribuição de renda, não influi na melhoria dos níveis de vida de quem, como o brasileiro, vive assim em tão intenso estado de pobreza”. É certo que outros países, como Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México e Nicarágua estão nas mesmas situações nossas, mas é lógico também que não devemos condoer-nos nem um pouco com os pesares deles e, sim, exclusivamente, com os problemas nossos, pelo que devemos tentar então, a qualquer custo, libertar-nos dos tais, o que só conseguiremos logrando redução de um ou dois pontos percentuais no índice que mede a concentração econômica das nações e, também, obtendo taxas anuais de evolução econômica da ordem de 3%. Admitem os especialistas que nem as reformas administrativas, em agitada compilação no Congresso Nacional, farão o milagre com que a nação possa zerar em 12 anos sua pobreza congênita, conforme o desejo da ONU, cujos membros se entristecem com a penúria das comunidades das regiões citadas em seu relatório, todas elas desprovidas de recursos financeiros até para se alimentarem suficientemente, não podendo, por isso, subtrair dos bolsos tudo aquilo com que possa se acudir da tragédia que as assola. Torcem os mentores da poderosa entidade por um mundo sem os conflitos motivados por ganâncias econômicas e, conseqüentemente, têm consciência de que o Brasil e seus companheiros de privações vão ter, eles mesmos, que cuidar de si, de seu problemático futuro, procurando escapar das investidas de quantos tendem a atirar granadas contra os fracos, desprovidos de bens patrimoniais, para os quais a vida é uma montanha difícil de galgar, sendo a juventude uma das encostas e a idade madura o cimo, vindo depois o declínio que leva ao retrocesso sem permitir a euforia da satisfação que não veio... É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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