Bairros

CVV tenta atrair novos voluntários

Da Redação
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O Centro de Valorização da Vida (CVV) Samaritanos precisa de mais voluntários para voltar a atender em 24 horas. O número insuficiente de colaboradores obrigou a entidade a restringir seu funcionamento. Desde janeiro, o quadro, que prevê 48 vagas, conta apenas com 37 pessoas operando todos os dias, das 15h às 7h.

Para recrutar interessados em participar do programa, a entidade promove uma palestra, que será realizada na próxima terça, às 20h, na rua Virgílio Malta, 8-71. O objetivo é apresentar o esquema de trabalho do CVV. Quem decidir ingressar na entidade, deverá passar por um treinamento especial.

O curso tem duração de dois meses, com aulas desenvolvidas duas vezes por semana. A coordenadora de divulgação do CVV Samaritanos, Sandra Maria Fernandes do Prado, explica que durante o treinamento, os candidatos são preparados para ouvir e dar conforto às pessoas que estão passando por dificuldades emocionais.

“Vamos ensinar aos voluntários técnicas de ouvir sem julgar ou sugerir soluções para os problemas que a pessoa está enfrentando”, diz Prado.

Trabalhar no CVV exige dedicação. Uma das principais dificuldades em se manter voluntários é devida à falta de flexibilidade na agenda dos interessados. Cada atendente precisa dar plantão uma vez por semana, durante quatro horas.

“Existe alta rotatividade em relação aos atendentes. Muitos colaboradores começam a trabalhar no CVV, mas ao aparecer outros compromissos ou atividades, eles desistem do programa voluntário”, aponta.

Embora faltem pessoas para participar do CVV, a procura pelo serviço telefônico é grande. A entidade recebe, em média, 1.500 ligações por mês, além de atender cerca de 10 a 15 pessoas diariamente em sua sede, que funciona na sala 50 do Terminal Rodoviário de Bauru.

Prado ressalta que o trabalho desenvolvido pelo CVV já salvou muitas vidas. Existente há 20 anos, a entidade tem como principal objetivo a prevenção ao suicídio.

Segundo estatísticas, a cada 40 segundos alguém se suicida em algum lugar do mundo. O suicídio (violência auto-dirigida) é classificado pela Organização Mundial da Saúde como a 14.ª causa de morte no mundo inteiro e a 3.ª entre pessoas de 15 a 44 anos. No Brasil, nas últimas duas décadas, a média de suicídio é de 4,5 para cada 100 mil habitantes.

“Nós estamos ali no papel de ouvido amigo, demonstramos amizade, carinho e respeito. O objetivo é que a própria pessoa resolva seu problema”, observa Sandra, enfatizando que as ligações recebidas são sigilosas. “Não temos detector de chamadas e as pessoas que nos procuram têm seu nome preservado”, ressalta.

Realização pessoal

Para os voluntários do CVV, a principal vantagem de participar do programa é a experiência pessoal adquirida com os telefonemas. Um dos atendentes, que preferiu se identificar apenas como Francisco, revela que o trabalho ajudou no seu crescimento pessoal.

“Eu defino minha experiência com uma única palavra: auto-realização. É ótimo poder ajudar quem está passando por um problema, sem preconceito ou julgamentos”, conta Francisco, que integra o grupo há um ano. “Mas antes de atender alguém, tenho que olhar para dentro de mim”, aponta.

Na opinião de Solange Martins, o atendimento na entidade estimulou seu amadurecimento. “Antes eu dava muito palpite, agora eu ouço e compreendo mais os outros”, relata. Martins, que há dez anos participa do CVV, afirma que o trabalho a faz sentir bem. “É mais gratificante para quem ouve do que para quem é ouvido”, confessa.

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