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Pais comuns viram heróis pelos filhos

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 5 min

Nem Batman, Super-Homem, X-Men, Homem-Aranha e mais uma legião de super-heróis seriam capazes de ter a atitude de alguns pais na tentativa de salvar seus filhos, seja lá de qualquer tipo de apuro ou situação.

Quantos já pularam na piscina, desafiaram cães ferozes, doaram sangue mesmo desmaiando com medo de agulhas e até enfrentaram problemas bem mais sérios como a rebeldia além do normal, as dificuldades financeiras, as doenças e o envolvimento com o mundo do crime e das drogas.

A maioria destes homens, heróis anônimos, não gosta de aparecer e em hipótese alguma quer trazer à tona um sofrimento passado pelo filho.

Carlos Aparecido Fascina, 44 anos, jamais vai esquecer o dia 20 de fevereiro de 1988, quando o pai José Fascina doou para ele um dos rins.

Ele havia descoberto a insuficiência renal no ano anterior, quando não conseguia mais se alimentar, estava pálido e não tinha mais o mesmo rendimento no trabalho. “O médico descobriu que eu tinha os dois rins atrofiados, mas achou o rim do meu pai compatível. Em menos de um ano eu operei e estou bem e meu pai está bem também”, relata.

Fascina conta que sempre se deu bem com o pai e hoje queria ter a chance de dizer que ele é seu verdadeiro herói. “Se não fosse ele, eu não estaria aqui, não seria uma pessoa normal. Quando era criança, tive muitos problemas. Fui uma criança doente, não era sadio. Mas hoje eu estou bem. Tem muita gente que está na fila de espera há muitos anos e eu não. Levei um ano. Eu quase fui, mas graças ao meu pai estou a salvo”, explica, orgulhoso.

Princesa especial

“A Aline nasceu linda, loirinha, lorinha e de olhão azul, azul”, conta o pai Wanderley Geraldo, 39 anos, vendedor de cosméticos. Mas dias depois o médico chamou-o para dar a notícia de que a menina, hoje com 16 anos, era portadora de síndrome de Down.

“Foi uma surpresa. Ela parecia uma princesinha, até hoje ela é tratada assim. Mas eu e a Gláucia (mãe de Aline), apesar de novos, com poucas condições na época, encaramos os desafio de criar a nossa filha e fazer dela uma pessoa especial de todas as formas”, revela o pai.

Pai coruja, Geraldo conta que o apelido da Aline na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru é “princesa” e a garota faz jus ao codinome: é magrinha, miudinha, delicada e com porte de princesa na maneira de sentar-se e cumprimentar as pessoas.

Como toda adolescente, Aline é vaidosa, gosta das coisas organizadas, não tem preguiça para arrumá-las e já está querendo namorar. “Só que eu estou com ciúme, ainda acho que é cedo. Mas ela já recebeu até cartinha de amor”, conta.

Geraldo diz orgulhoso que a filha nunca lhe deu trabalho, nem o filho mais velho Bruno, 20 anos, que é o defensor da irmã. O pai assume que seu lado herói fopi ter feito o sacrifício que fez nos primeiros anos para conseguir dar uma estrutura para a família, principalmente depois do nascimento de Aline, que precisava de psicólogos, fisioterapeutas, médicos e remédios.

“Tinha três empregos. Era funcionário público, também trabalhava à noite numa distribuidora de remédios, depois da meia noite fazia trabalhos de digitação e no sábado e domingo era servente do pedreiro porque estava construindo essa casa aqui. Um dia desmaiei de cansaço e fiquei com apenas duas funções. Mas lutei com prazer por ela (a filha)”, diz.

Dia de Super-Homem

Mesmo vencendo a batalha pela inserção da filha deficiente na sociedade - Ela hoje cursa a 3.ª série do ensino fundamental numa escola estadual e já tem outros amigos - o vendedor Wanderley Geraldo conta que já teve seu dia se super-herói de verdade.

Aline ainda era criança e quis comer uma coxa de frango sozinha, acabou engasgando com a cartilagem e ficando sem ar.

“A gente ainda não tinha carro. Saí feito louco para achar um vizinho para me socorrer e ela estava ficando roxa, desesperada. Eu já tinha feito de tudo. No desespero bati nas costinhas dela e ela colocou o pedaço de cartilagem para fora, pouco antes de chegarmos no hospital. O médico me disse que mais alguns minutos ela morreria. Naquele dia me senti o super-homem”, revela emocionado o pai que não tem vergonha de exibir os filhos, nem mesmo de fazer qualquer sacrifício para dar o que eles querem.

“Agora, a Aline quer um computador. Estou guardando dinheiro e acho que até o final do ano consigo satisfazer mais um desejo da minha filha que, como você pode perceber, é como outra adolescente qualquer e ainda tem um toque especial”, gaba-se o pai.

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A batalha do pai roqueiro

Ainda numa cadeira de rodas, mas em franca recuperação, o músico Herbert Vianna, pai de Luca, Hope Izabel e Phoebe terá seu segundo Dia dos Pais desde o acidente com o ultraleve em fevereiro de 2001, que vitimou sua esposa, a jornalista inglesa Lucy Vianna.

No dia 1 de agosto, em Bauru, após o show do Paralamas do Sucesso, dentro do projeto Pão Music, o guitarrista, que está cantando e tocando perfeitamente, mas ainda com a fala e o raciocínio um pouco lentos, deu um depoimento comovente na única fala que concedeu à imprensa, conseguida com exclusividade pela equipe do JC.

“Bom, a data me traz uma superfície dupla, tanto pela relação com o meu pai quanto a relação dos meus filhos comigo, que é um ponto onde a gente ainda tem uma região bastante delicada, por conta do acidente e da passagem da mãe. Agora, eu tenho convicções espiritualistas e eu levo muita fé que ela (Lucy) tenha sido elevada, que ela tenha chegado lá. E através de algumas conexões espirituais que tenho e que me confirmam isso, eu estou aqui porque ainda tenho muita coisa para aprender. Mas a batalha vai ser boa. Eu sei que eu me empenhando de coração, as crianças vão ser muito felizes. Eu estou nessa batalha aí...”, desabafa Herbert Vianna.

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