Saúde

Introdução de alimentos ao bebê deve seguir uma ordem

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O aparelho gastrointestinal do bebê recém-nascido é muito sensível e imaturo. Ele precisa de tempo para aprender a metabolizar cada tipo de alimento adequadamente. É por isso que os médicos indicam um cronograma para a introdução de alimentos ao bebê. A falta de aleitamento materno e a precocidade na ingestão de alguns produtos pode facilitar o aparecimento das manifestações alérgicas.

Professora do Departamento de Nutrição da Universidade do Sagrado Coração (USC), Rita Cristina Chaim salienta que além de ser nutricionalmente balanceado, vir na temperatura certa e carregar anticorpos da mãe para o bebê, o leite materno também ajuda a prevenir as alergias.

Ela explica que, sob condições normais, o intestino fornece uma barreira que impede a absorção de proteínas completas. Retidas, essas moléculas (que são grandes) permanecem no estômago até serem “quebradas” em moléculas menores (os aminoácidos).

“O recém-nascido tem uma grande permeabilidade gastrointestinal, ou seja, ele não barra essas moléculas grandes e elas são absorvidas inteiras. Quando caem na corrente sangüínea desse jeito, o organismo as reconhece como corpo estranho e reage”, explica.

Numa criança normal, isso pode causar intolerância ao alimento - uma situação transitória. Mas se o bebê tiver o componente genético da alergia, isso pode sensibilizar o organismo e ficar registrado como agente alergênico por toda a vida. Se a criança é amamentada no peito, o organismo dela tem mais tempo para amadurecer.

A Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno como única fonte de nutrição do bebê durante um ano. No entanto, no Brasil, a legislação concede quatro meses de licença-maternidade. Por isso, a maioria dos médicos sugere a introdução alimentar por volta do terceiro ou quarto mês de vida do bebê.

Essa introdução precisa ser lenta e gradual, um alimento de cada vez. Primeiro a água (filtrada ou fervida) e os chás (camomila, erva-doce ou erva-sidreira, sem açúcar), já nos primeiros meses.

Depois, por volta do terceiro mês, pode-se oferecer os sucos de fruta. Nos primeiros dias, o suco deve ser diluído em água e ser dado em pequena quantidade (10 mililitros), aumentando progressivamente (até 100 mililitros). A mesma fruta deve ser usada por três a quatro dias para avaliar a tolerância do bebê à substância.

Cerca de um mês depois, a criança já pode começar a comer papinha de frutas, sempre em pequenas quantidades (uma colher de sobremesa). Os sabores já podem ser misturados.

Um mês mais tarde inicia-se a introdução dos legumes e e verduras, também um a um, observando se não há reação do organismo, como reações intestinais, manchas na pele, entre outras. Se houver reação, deve-se suspender aquele alimento e tentar de novo depois de algumas semanas.

Os últimos alimentos a serem introduzidos na dieta da criança são as carnes, os grãos e o ovo, que são substâncias de difícil digestão. A carne até pode ser cozida com os legumes desde o início, mas os pedaços só devem ser triturados junto com a papinha depois de dois meses, aproximadamente.

O feijão (e outros grãos) podem ser misturados ao alimento por volta do sétimo ou oitavo mês de vida da criança. O ovo é o último ingrediente a entrar na alimentação do bebê, por volta do nono mês.

Segundo os médicos, estes cuidados valem para todas as crianças - alérgicas ou não. Mas se houver o componente genético da alergia, esta medida retarda o processo de sensibilização. Quando a criança tiver contato com o produto alergênico, seu organismo será mais resistente e a reação alérgica tende a ser mais amena.

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