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Tirando as pedras dos caminhos


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Ninguém pode afirmar categoricamente que não hajam no mundo estradas sem fim. De nenhum tipo - diga-se - sejam estreitas ou largas, pavimentadas ou sem calçamento, iluminadas ou escuras, em verdade umas e outras têm o devido epílogo, mais cedo ou mais tarde, porque todas são fadadas a se acabarem ou desaparecerem um dia, por destruição de mãos humanas, pelos golpes de patas de animais silvestres ou, ainda, pelo desenfreio de remessas aquosas das nuvens. E são assim unicamente, com fins preestabelecidos, todos os caminhos transitados por veículos de variados tamanhos e envergaduras? Absolutamente, pois também os seres humanos têm o que se lhes chama de estradas da vida, pelas quais transitam do começo ao fim de suas existências. Muitas são bem curtas e estreitas, encontrando seu término logo nos primeiros tempos da caminhada das pessoas, como que topando com um cruzamento em que elas são contidas por algum fortuito semáforo vermelho. Há, porém, vidas que vão longe, ficando, então, velhinhas, velhinhas, estacionadas em suas casas ou fora delas, recebendo daqueles filhos que não os esquecem o devido carinho. Estacionam, evidentemente, mas não dão por encerrada a sua peregrinação terrestre. E ali prosseguem, às vezes devagar, mas não parando, enquanto podem, não emudecendo, emitindo risos e até se dedicando a alguma tarefa doméstica, cuidar de flores no jardim por que não, por continuarem entendendo que o hoje é um dia mais velho que o ontem e o sol de amanhã virá mais novo que o de hoje. Os que os cercam de afeição o fazem certamente por considerá-los ainda dotados de um coração ardente, merecedor de carinho, ao que eles correspondem lançado-lhes um sorriso fraterno, ainda que venha a ser um dos últimos... “Gosto de trabalhar. Não posso parar. Quando isso vier a acontecer será o fim de minha jornada”, afirma um idoso aos que o visitam ou convivem com ele em seu lar, onde se sentem à vontade para continuar a amar e ser amados, assim como respeitados como os chefes de família de outros tempos. Família cuja Semana Nacional ora se festeja e que precisaria sê-lo todos os dias como fator de aproximação de todos os seres, adultos ou crianças, pais, mães ou filhos, parentes ou amigos, todos palmilhando as mesmas rodovias da vida e retirando as pedras dos caminhos de cada um!!! É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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