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Lar dos Desamparados ganha espaço de lazer

Da Redação
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O Lar dos Desamparados, entidade localizada às margens da rodovia Marechal Rondon entre Bauru e Agudos e que abriga 70 idosos carentes inaugurou no último sábado uma área de lazer para seus assistidos. O espaço, denominado “Odarci Berdinanzi Ramien”, visa estimular a integração e a convivência dos idosos. Futuramente, a área vai receber mesas de pingue-pongue e sinuca.

Outra novidade é a implantação de escola de alfabetização dos moradores do lar. Criada há seis meses, ela funciona na própria instituição e atende a 40 idosos. As aulas são ministradas por uma professora da rede municipal de Agudos.

Fundada em 1936 por um grupo de voluntários, o Lar dos Desamparados atende pessoas acima de 55 anos que não possuem condições de sobrevivência sozinhas. Vivendo em regime de internato, a entidade reúne apenas homens, porque desde o início, a demanda do sexo masculino é maior.

Os idosos dormem em alojamentos e recebem comida e remédios gratuitos. Aproximadamente 25 internos, que ainda conseguem tomar banho sozinhos e não precisam de atenção especial das enfermeiras, ficam alojados em dormitórios individuais.

Edna Soares Dalálio, enfermeira e auxiliar da coordenação da entidade, conta que os idosos mais independentes realizam pequenos trabalhos, como a limpeza de alguns quartos. “Eles ajudam os outros companheiros que não conseguem se locomover, por exemplo, ou auxiliam no preparo das refeições”, comenta.

A entidade, localizada em uma área de 76 alqueires, conta com horta, pomar e criação de gado. De acordo com o presidente Antônio Carlos Bueno, o lar sobrevive com recursos próprios e algumas doações.

“A maior parte da renda vem de aluguéis de algumas propriedades nossas”, diz Bueno. “Quase tudo o que consumimos, como verduras, legumes, frutas, além do leite e da carne, vêm de nossas plantações”, explica.

Bueno ressalta que apesar do alimento garantido, a entidade enfrente algumas dificuldades. “Trinta por cento de nossa renda vêm de doações, e devido à crise financeira, muitas pessoas deixaram de nos ajudar”, aponta.

Desamparo

A maioria dos internos que vivem na entidade foram abandonados ou perderam os laços com suas famílias. É o caso de Avelino Ferrari, 62 anos, que por causa da bebida, perdeu o contato com os filhos há mais de dez anos. Ele está há um ano e meio no lar e nunca recebeu visita de familiares. “Eu tenho dois filhos casados que moram em São Paulo. Não tenho contato com nenhum deles”, diz.

“Aos poucos eu fui me habituando a morar aqui (no Lar dos Desamparados)”, revela Ferrari que sempre que pode dá remédios e auxilia os colegas mais velhos a se locomover, como o interno Geraldo Pereira, que vive há quase 30 anos na entidade. Doente, ele precisa de remédios e cuidados constantes e passa, a maior parte do tempo, dormindo no alojamento.

Embora sejam esquecidos pelas famílias, os internos da entidade se consideram felizes por viver na companhia de outros idosos. Gersino Nascimento da Silva, 73 anos, que mora há mais de 40 na entidade e diz que essa é a sua família. “Eles são meus verdadeiros irmãos. Eu adoro todos eles. Aqui não tem um melhor do que o outro, somos todos iguais”, diz.

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