Várias pessoas procuraram o JC para denunciar problemas advindos de contratos de sociedade em conta de participação. Algumas deram seu depoimento à reportagem, mas pediram para ter o nome preservado por sentirem-se envergonhadas e enganadas.
Um casal de profissionais liberais, ela com 28 anos e ele com 30 anos, ainda não conseguiu chegar a um acordo com a empresa na qual foi firmado um contrato em abril de 2000. Segundo Eduardo (nome fictício), eles já quitaram todo o plano, mas não receberam o dinheiro.
“Em abril de 2000 nós fizemos um plano de compra-conjunta no valor de R$ 13 mil. A idéia era comprar um carro mais novo. Mas cerca de um ano depois, as parcelas de R$ 167,00 começaram a pesar no orçamento e resolvi negociar com a empresa. Mudamos de plano duas vezes para baixar o valor, até que em fevereiro deste ano terminamos de quitar tudo”, conta Eduardo.
Segundo ele, na ocasião a empresa disse que havia muitos outros planos na frente para serem pagos e que o dinheiro dele - que acabou adquirindo o carro de outra forma - seria liberado em quatro meses.
“Em junho voltei lá, e eles não tinham dinheiro para me pagar. Tive que contratar um advogado, que está tentando resolver o caso. Na semana passada recebemos uma carta da empresa propondo pagar o que nos deve em dez pagamentos, sem juros, a partir de abril de 2004. É um absurdo.”
A dona de casa C., 31 anos, diz que o caso dela também foi parar nas mãos de um advogado. Do plano de R$ 21 mil que o marido assinou para adquirir um imóvel, R$ 15 mil já foram pagos. Através de um acordo feito com a empresa, eles devem receber de volta R$ 13 mil, que serão pagos a “conta-gotas” ao longo de quatro meses.
“Além de mim, existem mais de 20 processos dessa mesma empresa tramitando no Juizado de Pequenas Causas em Bauru. No meu caso, depois que meu marido assinou os documentos recebemos um outro contrato, diferente, que não tínhamos assinado. Ou seja, a empresa o modificou de forma unilateral. Há dez pessoas que eram do meu grupo enfrentando problemas com a empresa.”