Presidente Alves - O assentamento Palmares, em Presidente Alves (56 quilômetros a Noroeste de Bauru), está servindo como base territorial e de apoio para um grupo de sem-terra que está surgindo na região.
Famílias de Pirajuí, Presidente Alves e Guarantã começaram a chegar na quinta-feira passada e já formam um grupo de 65 pessoas. Só ontem, o grupo recebeu o reforço de 11 famílias. Outras poderão chegar nos próximos dias.
O novo grupo de sem-terra é composto basicamente por famílias que saíram da cidade e estão migrando para o campo em busca de terra da reforma agrária.
De acordo com o acampado Vanderlei Ferreira da Silva, 19 anos, a decisão de fazer parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi uma conseqüência natural da falta de oportunidades na cidade.
“Lá não temos perspectiva de nada. Não há emprego. Ainda mais para quem tem escolaridade baixa”, disse Silva, que cursou apenas até a 8.ª série do ensino fundamental em Guarantã.
Filho de sem-terra - os pais dele fazem parte de um pré-assentamento em Guarantã -, Silva morava sozinho na cidade e trabalhava como ajudante geral. A exemplo dos demais integrantes do grupo que está no assentamento Palmares, Silva está estreando como acampado.
“Esse é o meu primeiro acampamento. A intenção é permanecer aqui até conseguir um pedaço de terra”, revelou.
O grupo descarta, por enquanto, a possibilidade de ocupar outras áreas como forma de pressionar o governo. A idéia, segundo eles, é aguardar no acampamento até que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) atenda suas reivindicações.
Enquanto isso não acontece, as 66 famílias do assentamento Palmares, que fica próximo ao distrito de São Luiz do Guaricanga, concordaram em ceder um espaço para o acampamento dos novos sem-terra.
As barracas estão sendo montadas em uma área comunitária, destinada aos agronegócios do assentamento.
“Nós estamos apoiando eles nessa luta. Passamos por isso e sabemos o quanto é difícil”, disse uma das assentadas, que se identificou apenas como Glória.
O posicionamento é compartilhado pelo também assentado, Antônio Gringo de Assunção, 35 anos. Para ele, os acampados poderão permanecer no local o tempo que quiserem.