Foi assinado ontem à tarde um decreto de ampliação da área de preservação no entorno do Jardim Botânico. A área de preservação ambiental (APA) Vargem Limpa - Campo Novo, que era de 750 hectares, agora tem cerca de 1.250 hectares, o que representa um aumento de 67%. Somente o Jardim Botânico compreende uma área de 321 hectares.
O prefeito Nilson Costa (PTB) e o secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Pires, assinaram também outro decreto que proíbe a prefeitura de adquirir madeira procedente da Amazônia. A solenidade contou com a presença da gerente executiva do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), Analice de Novaes Pereira.
“Temos a maior área contínua de cerrado preservada pelo poder público, mas isso ainda era insuficiente para garantir o futuro da preservação, devido a uma possível ocupação dessa área pelo perímetro urbano. Este projeto já estava nas nossas mãos, e com a vinda do Ibama, nada melhor do que Bauru mostrar que vem buscando a preservação do cerrado”, comenta Pires.
O diretor do Jardim Botânico e presidente do conselho municipal das APAs, Luiz Carlos de Almeida Neto, comenta que o decreto assinado vai possibilitar aos pesquisadores de Bauru a contemplação de áreas que anteriormente não eram acessíveis. “São novos corredores ecológicos, que estão sendo zoneados. Estamos traçando as diretrizes para estas áreas para decidir sua destinação”, esclarece Almeida Neto.
Ele estima que o aumento represente cerca de 500 hectares de vegetação a mais na APA Vargem Limpa - Campo Novo. A área ampliada engloba totalmente as reservas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Hospital Lauro de Souza Lima, além de outros terrenos municipais até os limites do Córrego Campo Novo e da avenida José Sandrin.
Segundo Almeida Neto, a área aberta à população continua sendo apenas o Jardim Botânico e o Zoológico Municipal. A nova área em seu entorno é destinada apenas a pesquisas e preservação.
A gerente executiva do Ibama destaca a importância das parcerias entre os governos municipais e estaduais com o Ibama, visando fortalecer e contribuir para trabalhos conjuntos e ações como essa. “Estou felicíssima! É um momento para comemorar, com esse grande ganho ambiental”, afirma Analice.
Os frequentadores do Jardim Botânico também gostaram da notícia. “Essa é a uma excelente área em Bauru, bem preservada e bem administrada. Os funcionários e guardas sempre dão orientação, principalmente quando há crianças”, diz a relações públicas Anauá Moreira. Ela apenas considera pequenas as trilhas para caminhada no Jardim Botânico, principalmente para pessoas praticantes do esporte, mas de tamanho ideal para os iniciantes conhecerem a vegetação nativa da região.
Visita
A viagem da gerente executiva do Ibama a Bauru faz parte de uma agenda de visitas a todas as unidades do instituto. Segundo Analice, é a melhor forma de conversar com os funcionários, diagnosticar os problemas locais e identificar e criar parcerias. “Começamos as visitas há duas semanas. Nossa prioridade é trabalhar mais próximo das unidades. Percebemos que o escritório de Bauru é muito atuante, com o Ibama fazendo interlocução com a sociedade, com o terceiro setor, com organizações não-governamentais, com o zoológico”, diz.
Durante a tarde de ontem, a gerente executiva conheceu o Zoológico Municipal de Bauru, onde conversou com o secretário do Meio Ambiente sobre os animais, as atuais condições e os problemas do local.
Analice aproveita a oportunidade também para divulgar a Conferência Estadual do Meio Ambiente, que será realizada em Botucatu entre 24 e 26 deste mês. “Toda a sociedade está convocada para participar. Queremos a adesão de todas as cidades da região. As discussões que vão acontecer na conferência servirão de subsídio para o encontro nacional, que vai traçar as diretrizes da política ambiental do Ministério do Meio Ambiente para os próximos dois anos”, esclarece.
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Animais em extinção
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a fauna do cerrado brasileiro tem cerca de 65 espécies em extinção. Destas, 13 estão classificadas como “criticamente em perigo”.
Luiz Pires, secretário do Meio Ambiente, explica que o cerrado ainda é visto como a última fronteira agrícola, e por isso é o ecossistema que mais rapidamente vem sendo destruído no Brasil. “O cerrado é o patinho feio dos ecossistemas. Restam poucas áreas preservadas porque é uma terra muito barata. O solo é ácido, tem de ser trabalhado para ser aproveitado na agricultura”, indigna-se.
Este tipo de bioma é composto por diversos tipos diferentes de vegetação, solo e clima, e é a segunda maior formação vegetal do Brasil, perdendo apenas para a floresta amazônica. São dois milhões de quilômetros espalhados por dez Estados, caracterizados por diferentes paisagens, que vão do cerradão, com árvores altas, ao campo limpo, de vegetação herbácea.