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Carta atualíssima


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O realce que o calendário anual empresta a esta tradicional Semana Nacional da Família faz a comunidade lembrar-se do que mais lhe compete realizar em defesa dela, a família (esposos, filhos e demais parentes) a qual se agrega intimamente em um só todo, tentando colocar-se protegida da violência, das drogas, dos divórcios, do desemprego, das guerras e outras diversificadas tragédias. Procura, ao mesmo tempo, situar-se inteiramente na esfera da harmonia familiar, porquanto, conforme reza a Declaração Universal dos Direitos Humanos, “a família é o núcleo natural e fundamental da sociedade”. Constitui-se, por isso, para quantos se colocam a serviço de sua defesa, de todo um contexto de esperanças, no seu entender exequíveis. Não poderia ser diferente, porque tudo quanto se espera da vida é a fraternidade, consubstanciadora da felicidade com que todos sonham desde o nascimento até seus últimos dias. Sonham e, por isso, travam durante toda a existência uma batalha contra as angústias correlatas, que lhes surgem inopinadamente. E que angústias, não é mesmo? Recorda-se, a propósito, de tantos crimes que ultimamente têm acontecido, alguns hediondos, como o que ocorreu no ano passado, cometido por Suzana Von Richtofen, 19 anos apenas, riquíssima, com futuro promissor, que, associando-se a seu namorado e ao irmão deste, partiu para o assassínio dos próprios pais. Então, exatamente em um tempo voraz como este, que castiga impiedosamente a humanidade colocando a sua harmonia em um perigoso xeque, parece mais que urgente um retorno imediato às expressivas colocações da Carta dos Direitos da Família, a qual, escrita há 20 anos (outubro de 1982) e endereçada especialmente aos governantes e às comunidades familiares de todos os tempos, não só daquela época, encontra-se com sua oportunidade em profunda evidência, uma vez que não obstante refletir o pensamento da Igreja põe também seu inquestionável destaque nos direitos fundamentais de todos os grupos humanos existentes no mundo. Seu atualismo, portanto, após o decurso de duas dezenas de anos, é de vital importância universal quanto ao entendimento que se tem da sagrada missão da sociedade e que não pode e nem deve escapar da compreensão de parte das autoridades e das instituições, que lhes incumbe salvaguardar a todo transe para que não venham a ser profusamente minadas por leis desumanas e retrógradas em tempo algum, assim como não sejam esquecidas de quantos tenham a obrigação de cumpri-las irrevogavelmente. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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