Economia & Negócios

Setor de transporte de cargas reivindica mais investimentos

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O setor de transporte rodoviário de cargas precisa de investimentos urgentemente, caso contrário, haverá problemas seríssimos no País por falta de condições para realizar essa atividade. A afirmação é do presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp), Fávio Benatti.

Para ele, é fundamental que a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide/combustível) seja utilizada da maneira devida para recuperar a infra-estrutura de transporte no Brasil. “Isso tem preocupado demais as empresas do setor, que resolveram se mobilizar com o objetivo de sensibilizar o governo sobre a necessidade da aplicação desses recursos.”

Benatti está desde ontem em Bauru participando da reunião ordinária da Fetcesp. É a primeira vez que este encontro é realizado na cidade, já que mensalmente ocorre em São Paulo.

De acordo com ele, o setor rodoviário é responsável por 67% de todas as cargas movimentadas no Brasil, mas enfrenta uma situação grave de estradas em más condições de conservação e portos sem a infra-estrutura adequada para receber os caminhões lotados de mercadorias.

“Nós representamos o setor rodoviário, mas entendemos que a intermodalidade é importante para que o País evolua. Porém, a situação atual é de ferrovias abandonadas e de desprezo à cabotagem.”

Segundo Benatti, a falta de investimentos resulta em aumento excessivo de consumo de combustível, de implementos e insumos rodoviários e o que ele chama de “dívida social impagável”, referindo-se às mortes nas estradas.

“Pesquisas recentes mostram que os acidentes rodoviários no Brasil matam, por dia, o equivalente à quantidade de passageiros de um boeing. Ou seja, mais de 200 pessoas. As péssimas condições das estradas têm influência direta nisso.”

O anúncio feito pelo governo federal na semana passada, sobre os investimentos que serão feitos na malha rodoviária do País, animou as empresas ligadas à Fetcesp. Pelo acordo, 25% da arrecadação da Cide será destinada aos Estados. Mas para Benatti, muito mais ainda precisa ser feito.

Roubos

O roubo de cargas é outro fator que tem prejudicado muito as empresas do setor. Segundo o coronel Paulo Roberto de Souza, que esteve presente à reunião da Fetcesp, o número de roubos voltou a crescer no Estado de São Paulo.

“No primeiro semestre deste ano foram registrados 1.273 casos, o que resultou em uma média mensal de 212,17 roubos. Durante todo o ano passado foram 2.450 casos, gerando uma média de 204,17 por mês. Comparadas as médias mensais referentes a 2002 com as obtidas de janeiro a junho deste ano, constata-se aumento de 3,92%. Isso é muito grave”, observa o coronel.

Segundo ele, em valores o roubo de cargas deu às empresas de transporte rodoviário durante os primeiros seis meses deste ano um prejuízo médio de R$ 17,253 milhões por mês. Somando todas as cargas roubadas de janeiro a junho, a cifra é de R$ 103,516 milhões.

As rodovias com maior incidência de roubos neste ano até junho foram a Anhangüera, Dutra e Régis Bittencourt. Maio foi o mês com maior número de ocorrências até agora, somando 254 roubos.

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