Bairros

Entrega de cestas básica gera confusão

Da Redação
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Um grupo de moradores do Ferradura Mirim realizou um protesto na manhã de ontem em frente ao Núcleo de Apoio Familiar (NAF) localizado no Jardim Redentor, entidade que entregou 90 cestas básicas arrecadadas pelos Correios no mês passado dentro do programa federal Fome Zero. Os moradores alegaram falta de critérios na distribuição das cestas, que teve início na tarde de anteontem.

A entidade, que é mantida pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) em parceria com o Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus (IASCJ), atende cerca de 800 famílias carentes dos Jardim Redentor, Ferradura Mirim, Parque Júlio Nóbrega, Núcleo Geisel, Núcleo José Regino, Jardim Nicéia e Tangarás. Ana Jesus dos Santos, que mora no Ferradura Mirim, relata que não houve controle na distribuição das cestas e que muitas famílias não conseguiram receber os alimentos enquanto outras pegaram duas cestas básicas.

“Hoje (ontem), nós chegamos às 6h e ficamos esperando na fila porque tinha mais 40 cestas que sobraram. Mas o que aconteceu foi uma bagunça, quem pegou a cesta não assinou nenhum papel”, reclama Santos. “Teve gente que pegou duas vezes”, diz, revoltada. Os Correios coletaram 15 toneladas de alimentos em Bauru, que estão sendo distribuídos entre a população carente da cidade.

Segundo Marisa Elisa Silva de Almeida, que também mora no Ferradura Mirim, as funcionárias do NAF não avisaram as famílias cadastradas na entidade sobre a entrega das cestas básicas. “Elas pegaram o nosso nome e disseram que vão dar um jeito de avisar quando a cesta chegar. Mas eu só fiquei sabendo porque vi um monte de gente levando”, diz.

A assessoria de imprensa do IASCJ divulgou, em comunicado oficial para a imprensa, que a prioridade de entrega foi dada às gestantes, a fim de não gerar mal-estar físico para as mães. Além disso, a assessoria ressalta que apesar de contar com 800 famílias cadastradas, somente as que não possuem condições para comprar alimentos estão incluídas nos programas emergenciais de alimentação, como a distribuição das cestas básicas do Fome Zero.

De acordo com uma funcionária do NAF, que preferiu não se identificar, a entidade não avisou as famílias sobre a data da entrega dos alimentos porque, como os moradores freqüentam o local diariamente, o comunicado oficial não era preciso. “Eles ficaram sabendo rapidamente e espalharam pelos bairros”, diz.

A assessoria de imprensa destaca ainda que o IASCJ deve continuar realizando o trabalho social e educativo promovido pelo NAF, mas ressalta que a instituição não é um núcleo de distribuição de cestas básicas.

De acordo com a secretária municipal do Bem-Estar Social, Darlene Têndolo, na próxima segunda-feira, uma comissão formada por moradores do Ferradura Mirim será ouvida por ela na sede da secretaria. “Vou verificar o que as famílias estão precisando, porque nós temos, enquanto Sebes, a responsabilidade de atender a questão social. Apesar de desconhecer o que aconteceu hoje (ontem), vim aqui para trazer uma solução para a população”, esclarece.

“Quando alguém reivindica alguma coisa é porque precisa, e se precisa, eu vou atender. Mas nada disso precisaria ter acontecido”, lamenta Tendolo.

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Assistência

Luciana Lopes Alves, secretária da Fundação Veritas - instituição que coordena o trabalho social realizado no NAF -ressalta que a distribuição das 90 cestas básicas arrecadadas pelo Fome Zero apenas complementam o programa de assistência realizada pela entidade.

Ela afirma que a campanha desenvolvida pelo Correios não recolheu alimentos suficientes para as 900 famílias cadastradas no NAF, mas que elas recebem, mensalmente, cestas básicas.

“Essas cestas (arrecadadas pelo Fome Zero) são a mais. Nós já entregamos cestas todo mês, independente do programa”, aponta Alves.

Ela enfatiza que o NAF distribuiu cestas básicas somente para os moradores que participam dos cursos gratuitos oferecidos pela entidade. Entre os principais, destacam-se aulas de informática, alfabetização de adultos, bordado, manicure e curso para gestantes. “É um modo de chamar a população carente”, diz.

Além da distribuição de alimentos, o programa do NAF inclui assistência na área da saúde. “Nós fazemos o encaminhamento das famílias carentes para atendimentos médicos. A Universidade do Sagrado Coração (USC) é uma das instituições que mais nos auxilia. Na área de oftalmologista também temos um convênio com médicos da cidade”, conta Alves.

Fundado há três anos, o NAF localizado no Jardim Redentor recebe aproximadamente R$ 10 mil por mês e conta com assistente social, psicóloga, estagiárias e secretárias.

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