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Circulando: Ele tem um GTO

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Se você estiver andando por aí e ver um carro azul aproximando-se rapidamente no seu retrovisor, preste atenção no ronco do motor proveniente dele. Caso o barulho lhe dê a impressão de ser algo diferente do convencional, tenha a certeza de tratar-se do Pontiac GTO 1969 V8 do advogado bauruense Marcel Augusto Farha Cabete, um apaixonado por automóveis americanos como o modelo em questão.

Seu carinho pelo GTO tem razões históricas. Conforme explica Marcel, o veículo tornou-se o precursor dos chamados “muscle cars” americanos (em inglês, carros musculosos), expressão utilizada para definir automóveis de porte médio com motores potentes. “Ele também foi o responsável por salvar a Pontiac da extinção”, afirma ele.

Além disso, a “atuação” dos carros americanos em filmes das décadas de 50 e 60 encantavam Marcel. “Sempre gostei de automóveis, mas eles eram os que mais me chamavam atenção e sonhava em ter um igual aos que passavam nas telas”, enfatiza Marcel. “E felizmente consegui transformar em realidade o que queria”, complementa.

O GTO é um dos modelos mais tradicionais da Pontiac: “estreou” em 1964 e permaneceu em produção até 1974. A vida curta contribuiu para alimentar a aura de glamour em torno do modelo - sua “morte” ocorreu não por problemas de mercado, mas porque já não atendia às exigentes legislações ambientais americanas da época.

Marcel acrescenta que o sucesso do modelo iniciou-se após a decisão da Pontiac em fabricar modelos “diferentes” - leia-se motores mais “apimentados” - para participar das famosas milhas em Daytona. “Como eles dominavam essas competições, iniciou-se a febre e a fábrica retomou seu fôlego produzindo várias versões”, explica o advogado.

A revisão que Marcel tem a felicidade de ser o proprietário é a equipada com motor V8, capaz de gerar 265 cavalos de potência, transmissão automática, rodas aro 14 e alguns opcionais, como antena elétrica. Mas o carro impressiona mesmo é por sua originalidade, mantida graças ao extremo cuidado do advogado com o veículo.

Todas as peças utilizadas por Marcel no processo de restauração do automóvel, que o advogado foi forçado a fazer diante do seu mau estado de conservação na época em que o adquiriu, foram importadas dos Estados Unidos. Ele preocupou-se até mesmo em descobrir os códigos da tinta americana para obter a cor original do seu GTO, a “liberty blue”.

Por dentro, o veículo também dá “show”, a ponto de contar até hoje com o estofamento em tom azul saído de fábrica. “Quis manter um padrão de detalhamento, conservação e originalidade acima da média”, ressalta Marcel.

Uma das poucas modificações feitas pelo advogado em seu Pontiac GTO foi a substituição dos escapamentos. “Para aguçar o ronco do motor”, explica ele. Além disso, o advogado ainda pretende fazer um “upgrade” no veículo com a colocação de freios a disco nas quatro rodas, um novo carburador e comando de válvulas. “É esperar para ver”, profetiza.

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Perfil

Nome: Marcel Augusto Farha Cabete Idade: 33 anos Profissão: Advogado Hobby: Carros americanos Cor preferida: Azul Signo: Peixes Lugar bonito: Miami Time do coração: Noroeste Para quem você não daria carona em seu Pontiac?: “Aos motoristas bauruenses, pois é absurdo o que eles fazem no trânsito local. Eles não respeitam nada.” E quem você faria questão de ter como passageiro em seu GTO?: “A todos os apreciadores de veículos americanos como eu.” Que nota você daria aos motoristas bauruenses?: Três.

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Compra virou 'novela'

Não é exagero afirmar que a compra do GTO por Marcel transformou-se em uma verdadeira “novela”. Isso porque ele teve de negociar durante mais de dois anos até convencer o antigo proprietário a vendê-lo.

Tudo começou em 1993, quando ele ainda era estagiário de Direito e passava por uma rua no bairro Bela Vista. Nela, Marcel sempre admirava um carro de proporções grandes, tipicamente americano, mas que pelo péssimo estado de conservação não conseguia definir qual a marca.

Intrigado, pegou seu carro e dirigiu-se até a rua novamente para solucionar o mistério. Com a curiosidade aguçada, indagou sobre o veículo azul ao então dono, que respondeu tratar-se de um Pontiac GTO. “A conversa passou voando por mais de duas horas, com direito a abertura do capô para ver o enorme motor, momento em que a paixão começou a crescer”, recorda Marcel.

Maravilhado com o veículo, o futuro advogado foi embora pensando no que fazer para comprá-lo. Ali iniciava-se o primeiro capítulo da “novela”, pois o veículo não tinha documentos e o preço pedido pelo proprietário do automóvel foi “salgado”.

Após dois anos e meio de muita conversa - e “papo furado”, acrescenta o advogado -, Marcel conseguiu adquiri-lo. O carro saiu do galpão onde estava guardado direto para a oficina. Os primeiros reparos foram a limpeza no tanque, troca de faixas de freios e limpeza no carburador.

Quando o automóvel ganhou condições para rodar, Marcel limitava-se a andar com ele somente aos finais de semana. Enquanto isso, ingressou em juízo com uma ação de usucapião para reivindicar a propriedade do veículo, pleito em que saiu-se vitorioso. Após devidamente documentado e emplacado, o advogado iniciou a restauração do Pontiac.

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