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Lei poderá mudar cantinas escolares

Da Redação
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A obesidade infantil aumentou cinco vezes nos últimos 20 anos. De acordo com a Sociedade de Pediatria de São Paulo, este problema já atinge cerca de 10% das crianças brasileiras. Em razão disso, há um projeto de lei tramitando na Assembléia Legislativa que pretende normatizar os alimentos vendidos em cantinas escolares.

Na última semana, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp) promoveu uma palestra para diretores, professores e mantenedores de colégios de Bauru e região para discutir a obesidade infantil e a preocupação com a alimentação nutritivamente correta, entre outros temas. O médico Marun David Cury, responsável pelo Departamento de Saúde Escolar do Sieeesp, orientou as escolas para que iniciem um processo de conscientização sobre a prevenção da obesidade.

“Muitos alunos têm apresentado um índice de obesidade relativamente alto. Em 1982 tínhamos um índice de 0,5%. Hoje você encontra de 30% a 35% das crianças com sobrepeso”, comenta.

No projeto, há menção sobre a proibição da venda de produtos como refrigerantes e salgadinhos industrializados nas cantinas das escolas, mas Cury afirma ser contra. “A escola deve promover a educação sobre alimentação, com participação dos alunos, professores e dos pais, com discussão das opções no cardápio da cantina. A proibição vai aumentar o comércio fora da escola, com carrinhos de cachorro-quente, e os bares vão se equipar com estes produtos”, alerta o médico.

Em Bauru, existem alguns exemplos de instituições que optaram por mudar o cardápio dos alunos, visando uma alimentação mais saudável.

A lanchonete da Universidade do Sagrado Coração (USC) foi criada há quatro anos e, atualmente, é coordenada pela nutricionista Ângela Santiago. A cantina surgiu em virtude das grandes filas no refeitório e para dar opção aos alunos que desejam fazer apenas um lanche rápido, ao invés da refeição completa.

Ângela conta que procura servir aos estudantes opções de alimentos com valor nutricional equilibrado. “O organismo exige proteínas, carboidratos, gorduras, fibras. Proporcionamos aos alunos que encontrem tudo isso aqui: pão, leite, derivados como queijo e iogurte, frutas, verduras. Nosso carro-chefe são os sanduíches naturais, as saladas de fruta e os sucos. Mas não podemos deixar de ter salgados assados e fritos, pois os alunos requisitam”, aponta.

Na opinião da nutricionista, as pessoas atualmente têm sua alimentação ligada à publicidade. “Não consumimos o alimento que nos faz bem. Procuramos satisfazer nossa vontade, ingerindo alimentos ricos em calorias, mas que não têm a quantidade suficiente dos nutrientes para o organismo”, afirma Ângela.

Na lanchonete são vendidos cerca de 300 lanches naturais por semana, preparados na própria universidade. Além disso, os alunos compram de 20 a 30 porções individuais de salada de frutas diariamente. “Existem os outros produtos, como bolachas, salgadinhos, chocolates. Mas se damos a opção, os alunos procuram. Mesmo os que não têm o hábito de comer em casa procuram as opções mais saudáveis aqui”, diz a nutricionista.

Na escola Criarte, que possui alunos no berçário, pré-escola e no ensino fundamental (até a 8.ª série), o esquema da alimentação é mais controlado. Somente sexta-feira é dia de lanche livre. De segunda a quinta-feira, os alunos podem comprar na cantina ou trazer de casa apenas alimentos saudáveis, evitando refrigerantes, salgadinhos industrializados, chocolates e outros vilões da obesidade infantil.

Malba Alves Leite, que é coordenadora do ensino fundamental da escola, conta que essa política foi adotada há muito tempo, na tentativa de sensibilizar as crianças para hábitos mais saudáveis. “Nos projetos na sala de aula, orientamos sobre alimentação saudável com lanches coletivos, aulas de culinária. Com a cantina da escola e o lanche não poderia ser diferente.” Ela diz que os pais acabam sendo parceiros nessa iniciativa, tornando a ausência de refrigerantes e de outros produtos um hábito tanto na escola quanto em casa.

Um grupo de alunos confirma que a regra da escola acaba se estendendo para o cotidiano. “Eu não como muito salgadinho, acostumei a comer só na sexta-feira. Na minha casa mesmo, tem muito pouco”, diz a estudante Aline Garcia, da 7.ª série.

Sua colega Andreza Lamônica conta que não gosta muito de refrigerante e não se importa com o fato de a escola não vender a bebida durante a semana. “Na minha casa, a gente já não tem o hábito de beber todo dia.”

Giedre Martins, que estuda nesta escola desde a 2.ª série, diz que os alunos acabam se acostumando a manter uma alimentação saudável. “O hábito não vai mais mudar. Mesmo na sexta-feira, eu não costumo trazer (salgadinhos). Se dá vontade, eu como um pouquinho de alguém”, comenta.

E chocolate? “A gente já está acostumado a não comer todo dia, devorar uma caixa toda de bombom. Então, nem faz falta”, diz Lívia Almeida.

Entre um grupo de crianças do ensino infantil, foi notável na última sexta-feira, dia de lanche livre, que poucos alunos bebiam refrigerante. A maioria havia levado sucos, iogurtes ou leite achocolatado de casa. A coordenadora Malba diz que as crianças deixam de pedir aos pais que comprem refrigerantes para o lanche da sexta-feira.

O médico Marun Cury afirma que o ideal é que as escolas e os pais façam acordos com as crianças e adolescentes. “Dependendo do tipo de alimentos que eles gostam, você negocia, faz uma troca. O hábito faz com que eles aceitem melhor uma alimentação mais saudável.”

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