O forno de barro, o guarda-comida, o pote de barro para reservar água, a lingüiça sobre o fogão, a foto dos sogros na moldura de um quadro na sala e o embornal para a pesca pendurado no bico de pato na porta da cozinha são cenas comuns em Balbinos (73 quilômetros a Noroeste de Bauru). A casa de dona Isabel Lopes é o retrato da época do ouro negro, como era conhecido o cultivo do café.
Com seus 77 anos bem vividos, Isabel sempre foi dona de casa e há 60 anos vive no município. “Faço pão uma vez por semana. Antigamente, fazia cinco quilos de farinha virar pão em pouco tempo, mas a família foi diminuindo e hoje só faço para consumo próprio.”
Ágil por natureza, dona Isabel tem uma casa tipicamente caipira. Na sala, o retrato dos sogros que já morreram há muito tempo. “Conservo o quadro deles, porque eu gostava demais desse casal. É uma lembrança boa. Meu marido já morreu, mas eu não tirei o retrato, é uma homenagem”, ressalta.
Na cozinha, o guarda-comida com toalhinha de plástico contendo louças e a lingüiça pendurada sobre o fogão formam um cenário típico de zona rural. “Eu penduro a lingüiça para secar sobre o fogão. Quando o fogão era de lenha, a secagem era mais rápida.”
No quintal da casa, o tacho para fazer sabão além de uma plantação de mandioca, amendoim e verduras.
O embornal pendurado no pico de pato é um costume adquirido desde quando o marido da dona de casa era vivo. “Hoje são meus filhos que pescam. Quando eles têm sorte, eu vendo os peixes.”
Os moradores costumam fazer a sesta após o almoço e procuram a prefeitura para resolver problemas que nas cidades grandes cabe a cada um dos munícipes, confessa o prefeito, Ed Carlos Marin.
Segundo ele, enquanto a privacidade é zero, a solidariedade é mil, entre a população. “Quando alguém está doente, todo mundo fica sabendo e visita. Se alguém está com alguma dificuldade, os vizinhos socorrem.”