Tribuna do Leitor

Emprego vitalício


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Enquanto a grande maioria dos trabalhadores sofre com o alto índice de rotatividade nas empresas em que trabalham. Enquanto milhões de trabalhadores procuram diariamente por um novo emprego ou sofrem com a eliminação de postos de trabalho na indústria, comércio e até no setor de serviços, existe uma classe privilegiada que além de ter um bom emprego, desfruta de uma longevidade de fazer inveja aos marajás do Oriente Médio.

São os eternos dirigentes de clubes e federações de futebol pelo país afora. Esses dirigentes atravessam décadas à frente de orçamentos milionários sem prestar conta com os mecanismos existentes em nossa sociedade, severos apenas para com os pobres mortais assalariados.

Esses homens desfrutam de imunidade total em seus redutos, onde a lei atende pelo nome de “estatutos”, normalmente instrumentos fraudados ao longo dos últimos anos. Os estatutos proíbem eleições diretas e permitem que um colegiado de apaniguados elejam ano após ano os mesmos dirigentes de norte a sul.

O presidente da CBF acaba de ser eleito para mais um mandato à frente dos destinos do futebol brasileiro, graças a manipulações e favores que são de farto conhecimento das nossas autoridades e que ao invés de promoverem uma auditoria nessa entidade, fazem vistas grossas aos desmandos que ali ocorrem.

Nos clubes não é diferente, e não fosse a benevolência do Banco Central, da Receita Federal, do INSS e de tantos outros órgãos, a grande maioria dessas instituições teria declarado falência há muito tempo.

Por algumas dessas entidades passam verdadeiros rios de dinheiro, sem que os seus dirigentes sejam obrigados a prestar contas ao Ministério Público. É a maior farra do boi e ninguém mexe com esses homens intocáveis, em nome de uma paixão nacional que cega e congela a grande maioria dos brasileiros.

São milhões de dólares adquiridos nas compras e vendas de jogadores, nas negociações com a televisão e com os patrocinadores, sendo que ao final das contas enquanto os dirigentes ostentam riquezas, a grande maioria dos clubes tem um passivo trabalhista imenso e uma dívida enorme para com o INSS e o recolhimento do FGTS.

Eurico Miranda, Alberto Dualib, Mustafá Contursi, Zezé Perrela, Farah, Nabi Abi Chedid, Caixa DÁgua são alguns exemplos de administradores com selo ISO 14.000 de longevidade em seus postos de trabalho.

A grande maioria não resistiria a cinco minutos de investigação se estivéssemos num país de primeiro mundo, onde os pobres e o ricos prestam contas ao poder público de igual maneira sem o famoso jeitinho brasileiro.

Não é a toa que nas investigações sobre contas em paraísos fiscais, sempre apareçam nomes de empresários envolvidos direta ou indiretamente com o futebol. É a famosa lavanderia para milhões de dólares que são levados para fora do nosso país à revelia da lei.

Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6

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