A república é um ícone da legião de estudantes que chega a Bauru todos os anos, vindos de diversas partes do País, para cursar uma das faculdades da cidade.
No entanto, nos últimos seis anos, a morada predileta desses “forasteiros” têm mudado de figura. Muitos estão trocando as casas grandes e espaçosas, localizadas na região central, por apartamentos de até três dormitórios em áreas afastadas.
Esse fenômeno se dá devido ao preço dos aluguéis, que está mais acessível, e à aceitação dos condomínios, que deixaram de limitar a inclusão de estudantes em seus apartamentos.
William Glauber Teodoro Castanho, que faz faculdade de jornalismo na Universidade Estadual Paulista (Unesp), é um exemplo dessa nova tendência.
Ele morou por dois anos em república e cansou desse estilo de vida. Há dois anos, reside no Parque das Camélias, dividindo um apartamento com dois amigos. “Estou muito satisfeito com essa escolha”, destaca.
De acordo com ele, as repúblicas geralmente funcionam em casas grandes e têm vários moradores, o que pode trazer alguns transtornos. “Eu já dividi a casa com sete pessoas e fica difícil a convivência”, constata.
Ele elege a organização e o conforto como itens fundamentais para viver bem. Na moradia atual, o estudante conseguiu encontrar o que desejava. “Além disso, tem a questão da segurança que, para quem está sempre viajando, como nós, conta muitos pontos.”
Outro fator que o impulsionou a fazer a troca foram as condições do imóvel. “As casas em que eu morei eram muito antigas e apresentavam problemas de estrutura, como infiltração e rede elétrica danificada, o que nos tirava o sossego”, ressalta.
A meta de William é ter a sua própria casa, de preferência um apartamento bem localizado e confortável. “Acho que se eu tiver que morar em república depois de formado, isso vai ser uma regressão no tempo. Já passei pela experiência, foi válida, mas agora priorizo a qualidade da moradia”, enfatiza.
Já a colega dele, Poliana Zilli, que também está no 4.º de jornalismo na Unesp, adora viver de maneira alternativa.
Ela divide uma residência antiga, nas proximidades do Centro da cidade, com mais cinco pessoas - uma menina e quatro rapazes. “Eu gosto muito de morar em república, principalmente mista, pois é mais fácil lidar com os meninos”, salienta.
Por dois anos, ela dividiu uma casa apenas com meninas, mas a experiência não foi das melhores. “A gente era muito amiga e achava que todas tinham de ter o mesmo jeito de levar a vida. Mas, as coisas não funcionam assim e é preciso respeitar a individualidade de cada uma”, destaca.
O que a atrai nesse estilo de moradia é a alegria e o movimento de pessoas. “Sempre tem gente em casa e o clima é bem agradável”, destaca.
A casa tem três quartos, mais um porão e uma edícula com dois dormitórios no fundo. Dessa forma, cada um tem seu espaço para dormir e se recolher na hora de estudar e descansar. “Um dia, eu pretendo morar sozinha. Mas, isso ainda está muito longe de acontecer. Enquanto eu puder viver em república, eu vou aproveitar”, destaca.