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Vida média do bauruense sobe 1,6 ano

Ieda Rodrigues (com Redação)
| Tempo de leitura: 4 min

A esperança de vida ao nascer do morador de Bauru e região passou de 70 anos e 1 mês, em 1991, para 71 anos e 7 meses, em 2000. É o que mostra um estudo da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), divulgado ontem. A expectativa de vida na região de Bauru é superior à média do Estado de São Paulo, que passou de 68 anos e 9 meses em 1991 para 71 anos em 2000.

Ou seja, espera-se que as crianças que nasceram em 2000 na região de Bauru vivam em média 71 anos e 7 meses. Para a assistente social e terapeuta de casais Beatriz Aparecida Ferraz de Almeida Stringhaci, coordenadora do Ponto de Encontro da Terceira Idade, programa oferecido pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) à terceira idade, os dados do estudo não surpreendem.

“Nos pontos de encontro temos pessoas bem idosas e ativas. Além das reuniões do grupo, participam de várias outras atividades. Temos um senhor de 93 anos que, apesar da idade, é um verdadeiro pé-de-varsa. Não perde uma dança com a namorada, de 78 anos”, conta Stringhaci.

Bauru, pelas estatísticas do censo de 2001 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem 33 mil pessoas acima de 65 anos, ou seja, próximas da expectativa média de vida para a região. “A maioria dos idosos que participam dos pontos de encontros quer viver muito ainda, 80, 90, 100 anos”, relata.

O médico geriatra Júlio Horta afirma que o ser humano está geneticamente preparado para viver 100, 110 anos. “Ainda estamos muito longe de países do Primeiro Mundo. No Japão, de 15% a 20% da população têm mais de 70 anos. No Brasil, os idosos ainda são de 7% a 10% da população. Mas a expectativa de vida deve aumentar mais”, compara.

O bancário aposentado Luiz Carlos Pereira, 65 anos, é um exemplo de bauruense que quer ampliar a expectativa de vida. “Eu cuido da saúde, da alimentação e quero viver pelo menos mais 20 anos. Me sinto na flor da idade”, diz ele, que trabalha meio período apesar da aposentadoria e está procurando uma namorada.

Maria Aparecida Rocha Vasconcelos, 64 anos, a dona Quinha, aluna da Universidade Aberta da Terceira Idade (Uati) da Universidade do Sagrado Coração (USC), é outro exemplo de idosa ativa. Casada, ela participa da organização de eventos da Seicho-No-Iê, freqüenta a Uati desde 1993, e coordena o Clubinho da Terceira Idade, que congrega os alunos da Universidade Aberta à Terceira Idade. “Estou mais jovem agora”, relata, satisfeita.

Na opinião do médico Júlio Horta, o avanço na medicina, o controle de doenças, a redução dos acidentes de trabalho e a melhoria das condições gerais de vida, que vão de oferta de água tratada a esgoto encanado, contribuem para o aumento na expectativa de vida. “A pesquisa mostra uma tendência nacional porque há uma melhora na qualidade de vida geral e uma diminuição na mortalidade infantil. Se a pessoa não morre enquanto criança, ela vai crescer e poderá envelhecer, o que aumenta a expectativa de vida”, diz Horta.

Stringhaci observa a evolução na expectativa de vida nos últimos anos e frisa que os idosos de hoje tiveram pais que morreram cedo. “Nas entrevistas, eles relatam que os pais morreram aos 30, 40 e 50 anos”, diz. Para ela, a forma de encarar a vida ajuda muito a longevidade. “Eles são ativos, namoram e são muito mais liberados sexualmente do que os idosos do passado”, frisa.

Apesar de estar acima da média estadual, a expectativa de vida na região de Bauru é inferior às de outras noves regiões do Estado. De acordo com o estudo da Seade, a expectativa de vida no Estado de São Paulo é maior nas regiões de São José do Rio Preto, Araçatuba e Presidente Prudente, todas acima dos 73 anos.

Bauru, que ocupa a décima posição na expectativa de vida entre as 15 regiões pesquisadas no Estado, está à frente de Sorocaba, São José dos Campos, Registro, Grande São Paulo e Santos. A diferença entre o maior nível, observado na região de São José do Rio Preto (73 anos e 5 meses) e o menor, na região de Santos (68 anos e 8 meses) é de quatro anos e sete meses de idade média.

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Ponto de Encontro

Bauru tem três Pontos de Encontro da Terceira Idade, que juntos atendem 220 idosos. Os grupos reúnem-se uma vez por semana e sob a supervisão da assistente social e terapeuta de casais da Sebes desenvolvem atividades que vão de troca de experiência, palestras, dança a exercícios físicos, jogos recreativos e competitivos e viagens.

O programa aceita homens e mulheres acima de 55 anos, mas a maioria esmagadora é mulher, segundo Beatriz Aparecida Ferraz de Almeida Stringhaci, coordenadora dos grupos. “Dos cerca de 220 participantes, apenas 15 são homens. Eles têm maior dificuldade de

“A proposta é trabalhar com os idosos a convivência, a troca de experiência, a integração para uma melhor qualidade de vida”, explica Stringhaci. Os grupos funcionam na Associação dos Aposentados, no Clube da Vovó, na Associação de Moradores do Jardim Eldorado, na Associação de Moradores da Vila Independência e na Regional Administrativa do Parque São Geraldo.

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