Todo brasileiro deveria conhecer Fernando de Noronha. Graças a Deus ela é nossa. Trocou de mãos várias vezes, desde o dia em que Américo Vespúcio encantou-se com suas belezas em 1503 e decidiu declará-la território português.
Nos dois séculos seguintes Noronha foi francesa e holandesa. Portugal nem tinha dado muita atenção até que descobriu seu potencial estratégico e decidiu ocupá-la em 1737.
No século 20, as invasões continuaram: vieram os italianos, os franceses de novo e os americanos.
Foram invasões pacíficas, ou melhor, “empréstimos” para instalar bases em tempos de guerra.
O arquipélago é um trampolim para o Norte da África. Em meio a estes estrangeiros todos, sobreviviam esquecidos os detentos da colônia penal que lá existiu por três décadas.
Muitos desses presidiários se renderam a esse paraíso e acabaram ficando. Foram eles que começaram a construir Noronha junto com os poucos brasileiros que chegaram para trabalhar para os americanos durante a Segunda Guerra Mundial.
A base área deixada pelos gringos forneceu infra-estrutura que a ilha estava precisando. No final dos anos 60, quando tornou-se desnecessária para o rastreamento dos foguetes americanos durante a “guerra fria”, pôde abrir-se para os visitantes.
Em quatro décadas, a ilha mudou mais que em quatro séculos. Os primeiros turistas chegaram na década de 70 e, em poucos anos, o número de pousadas estourou: hoje são mais de 100.
Quase todas as casas dos próprios ilhéus foram transformadas em hospedarias rústicas, mas que oferecem relativo conforto.
Cerca de 300 bugres circulam pela menor BR do Brasil, a 363, com apenas sete quilômetros. Há dez anos eram apenas oito carros.
Cinco vezes por dia um batalhão de turistas desembarca na ilha, ansioso por conhecer um Brasil longe de tudo e de todos.
Tanta demanda também exigiu uma estratégia de defesa, o que explica o regulamento rígido que controla o número de habitantes e estabelece até 420 visitantes por dia na ilha.
A Vila dos Remédios é o point que borbulha de gente. Por ano são 35 mil turistas ansiosos por descobrirem o paraíso na terra.
Ninguém volta decepcionado. O sol brilha o ano todo, o mar é azul e cada canto do território reserva uma surpresa para o turista. Nas praias selvagens, de intensa beleza, sempre há personagens curiosos a nos espreitar de uma fresta nas rochas, como caranguejos vermelhos e atobás de olhos azuis. Na baía, o golfinhos pulam no ar girando corpo num estranho ballet que só ali pode ser visto.
Inclua Fernando de Noronha no seu próximo roteiro de viagem. Vale a pena.
Mirando as belezas
A ilha principal de Fernando de Noronha é repleta de mirantes naturais que permitem ver toda a beleza do lugar.
São quase 20 praias de areias alvíssimas, águas transparentes e mornas, onde o visitante desfruta da companhia curiosa de cardumes de peixinhos coloridos.
Piscinas naturais convidam ao banho tranqüilo, bandos de aves marinhas sobrevoam a área e encantam os observadores com seu balé na Baía dos Golfinhos.
Noronha é também um paraíso para quem gosta de mergulhar. Águas cristalinas chegam a permitir uma visibilidade de 40 metros.
Quinze das 18 espécies de corais existentes no planeta podem ser vistas no arquipélago.