A proposta de prolongamento do trecho Norte da avenida Nações Unidas com recursos do governo estadual, defendida por moradores e empresários daquela região da cidade como fundamental para alavancar o desenvolvimento da área, pode esbarrar na falta de recursos. A opinião é do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que afirma ter encaminhado o pedido ao governador Geraldo Alckmin (PSDB).
O movimento popular quer que a obra, que teria extensão de três quilômetros e está orçada em R$ 16 milhões, seja incluída junto com a duplicação da rodovia Bauru-Marília. O prolongamento faria a interligação da rodovia com o trecho da Nações Unidas que está sendo construído pela prefeitura e que terminará no cruzamento da rua José Bonifácio.
“É um projeto muito caro, principalmente em um momento em que se vive uma queda de arrecadação. Quando não se tem recursos, fica difícil”, opina o deputado.
Apesar da constatação, os presidentes de associações de moradores seguem esperançosos na viabilidade da obra. “Há dez anos, a prefeitura conseguiu a doação da faixa de terra necessária para a obra. Com isso, não haveria custos para desapropriar a área. É um problema a menos”, diz o vice-presidente da Associação de Moradores do Jardim Vânia Maria, Décio Onofre de Deus.
O prolongamento da Nações Unidas é visto pelo presidente da Associação de Moradores do Parque Roosevelt, Luís Carlos da Silva, como fundamental para a criação de novos empregos na região Norte. “A avenida serviria de acesso ao Distrito Industrial 3, atraindo novas empresas. Queremos que o deputado se esforce para defender o novo pedido”, afirma.
O presidente da Associação de Moradores do Parque Santa Edwirges, Vivaldo Pereira Martins, diz que os defensores do projeto tentarão agendar uma reunião com Pedro Tobias para discutir o assunto. “Queremos aproveitar o momento anterior à licitação do trecho da Bauru-Marília para incluir a avenida nesta obra”, declara.
O professor do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo (Daup) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), órgão que apóia o projeto dos moradores, José Xaides de Sampaio Alves, acredita que o prolongamento da avenida é uma obra fundamental. “Ela é uma reivindicação de mais de dez anos e que ajudaria a criar um outro pólo de desenvolvimento para a cidade”, opina.
A secretária municipal de Planejamento, Maria Helena Rigitano, também vê com bons olhos a iniciativa dos moradores. “A avenida funcionaria como um grande vetor de desenvolvimento para a cidade. Toda aquela região, que tem um acesso complicado, por ruas estreitas de bairros residenciais, receberia um novo impulso”, afirma.
Ela lembra que o projeto existe desde a década de 80, mas não chegou a ser concretizado. A prefeitura iniciou a construção do trecho entre as ruas Floresta e José Bonifácio no ano passado. A primeira parte, com 350 metros, fará a ligação com a avenida Jânio Quadros. Ela está prevista para ser inaugurada no próximo mês e custou R$ 1,1 milhão.
Maria Helena acredita que a segunda parte do trecho, com mais 200 metros, orçada em R$ 800 mil, deve ficar pronta até o final de 2004. Segundo ela, a obra que está sendo bancada pela prefeitura é a que requer mais recursos, pois requer gastos com canalização. “O restante é caro pela extensão, que é de três quilômetros”, declara.
Maria Helena lembra que, além da avenida, outros benefícios viriam juntos com o trecho Norte da Nações Unidas. “Seria criado um bolsão, que a gente chama de Parque do Castelo, com a finalidade de propiciar lazer à população, e também uma barragem de águas pluviais”, revela.