Política

Frente eleitoral ainda não empolga

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A formação de um bloco de centro-esquerda para a disputa das eleições municipais de 2004 dependerá, desde já, da remoção de obstáculos políticos, pessoais ou de grupo entre as legendas que acenam para esta composição. Alguns partidos reforçaram ontem as trocas de informações visando os preparativos para o embate eleitoral.

Entretanto, o único ponto em comum, por enquanto, é que ninguém quer “fechar a porta” para a composição. Um dos motivos para esse fenômeno precoce de articulação é o fato de a cidade realizar a primeira eleição em dois turnos em 2004. Bauru já conta com mais de 206 mil eleitores.

Por esse e outros motivos, representantes de diferentes partidos não descartam a formação de um bloco. A idéia foi lançada a partir da filiação do ex-deputado federal Tuga Angerami no PDT.

Mas para que o bloco seja erguido, as legendas terão que remover muitos obstáculos. A principal questão, hoje, é que a maioria dos partidos tem interesse em candidatura própria. Este ponto leva a vários outros.

Tuga, por exemplo, foi para o PDT dizendo que este reúne melhores chances de aglutinar forças de centro-esquerda. Nos bastidores foi possível identificar que também pesou para a troca de partido o fato do PSB contar com grupos com vontades diferentes da sua. Até chapa pura, isolada, foi defendida.

Até meados de julho passado, Tuga conversava em segredo com o PT de Estela Almagro e o vereador José Carlos Batata. Outro diálogo ocorreu com o PMDB de Alex Gasparini. Mas o vereador Salvador Afonso foi quem conseguiu êxito nas conversações. E Tuga acabou anunciando sua filiação no partido do ex-governador carioca Leonel Brizola.

A formação do bloco que teria legendas como PDT, PMDB, PSB, PC do B, PT, PL, PP, PV e outros ainda está na fase da mistura de água com cimento. O vereador Luiz Carlos Valle (PSB) já deixou claro que é candidato a prefeito pela agremiação. Na prática, o certo é que Valle não quer mais disputar uma cadeira na Câmara.

Mas um socialista apontou para onde poderá caminhar a situação interna: “O Valle deverá ser chamado a ser o candidato a vice-prefeito”.

E foi exatamente isso que o tucano Marcelo Borges deixou no ar, há alguns dias, em entrevista à TV Preve. Só que o PSDB é adversário certo de Tuga e, portanto, do PDT. Por conseqüência, os tucanos não estão nos planos da frente de centro-esquerda.

Já o presidente da Executiva do PMDB, Alex Gasparini, reforça a tese das portas abertas. “O PMDB trabalha para ter candidatura própria. É o partido com o maior número de filiados na cidade. Mas estamos abertos para discutir inclusive a indicação do vice para compor conosco”, cita.

Pedras e blocos

Mas compor, segundo Gasparini, significa colocar na mesa os peemedebistas com o candidato a prefeito. “A eleição é em dois turnos e o importante é que as forças estão mostrando preocupação com o destino da cidade. O bloco é possível e todos querem uma alternativa para a cidade sair desse ciclo ruim”, pondera.

O PPS, ex-partido do prefeito Nilson Costa (agora no PTB), é outro que não descarta nem abraça a frente. “Estamos dispostos a flertar com o PDT, mas desde que o interlocutor não seja o Clemente, que é muito conservador”, lança o presidente da Executiva, Rubens de Souza, em um tom que mistura namoro e inimizade.

O PPS tem outra pedra a remover. O partido ocupa espaço no governo municipal que hoje é comandado pelo PTB. E os trabalhistas formam um grupo que atua há pelo menos oito anos junto com o PSDB no Estado. Logo, esta conversa será mais longa. Ela envolve o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) e a pré-candidatura de Caio Coube pelo partido.

Já o PL continua acompanhando tudo por fora. O presidente da executiva estadual, deputado federal Milton Monti, está indicando seu irmão, o médico Fernando Monti, hoje no PMDB, para comandar a legenda na cidade.

Enquanto isso não ocorre, Sílvia Azambuja corre junto com os vereadores Eduardo Ávila (PP) e Leandro Martins (sem partido) para tentar abrigar o ex-prefeito Izzo Filho. Neste caso, o ex-prefeito seria adversário certo tanto de Tuga quanto de Tobias e Caio Coube. A alternativa para o PL seria engrossar o grupo com vários partidos pequenos, como PMN, PHS e PSDC.

Em outra ponta, o PP de Carlos Braga assiste, sem passividade, mas sem alarde, aos novos fatos. Braga compôs com Tuga na eleição de 2000, mas já disse por mais de uma vez que também é candidato a prefeito.

De certo, por enquanto, é que a ciranda política local inclui Tuga e Tobias em pólos opostos tanto quanto ocorre entre ambos e Izzo Filho. Neste momento, Braga está no meio desse concreto político armado. A curiosidade é que, desses nomes, o único que ainda não experimentou um cargo público é o empresário Caio Coube.

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