Nunca é tarde para recomeçar. Esse é o pensamento que estimulou o quase “cinqüentão” piloto bauruense Gilberto Verdó, 49 anos, a retornar às pistas após permanecer praticamente uma década afastado delas, onde consagrou-se com vários títulos no automobilismo e no kart.
E para fazer seu novo “début” no esporte, Verdó escolheu a Copa Paulista do Interior de Kart, que já realizou pelo Estado seis de suas 12 etapas previstas. Até o momento, o bauruense fechou o primeiro turno da competição ocupando o terceiro lugar na classificação geral, prova de que ainda está em forma e que a idade não é obstáculo quando se tem talento.
Mas a opção de Verdó por tal campeonato não foi por acaso. Isso porque a competição conta com uma categoria diferente das convencionais que reacendeu a paixão do piloto bauruense pelas pistas. O que o empolgou foram os karts equipados com borboletas de câmbio no volante, guardando certa semelhança com a tecnologia da Fórmula 1, que permitem aos pequenos “bólidos” trocarem de marchas.
Verdó os viu em ação pela primeira vez durante uma prova, realizada no município de São José do Rio Pardo, em que ele foi o responsável pela cronometragem oficial - atividade que atualmente é seu ganha-pão. “No começo, quando vi aqueles kartinhos com motores de motocicleta RD 135, achei que não seria grande coisa e propositalmente marquei suas disputas por último no evento”, recorda ele.
Entretanto, o desempenho dos “kartinhos”, com motores de 30 cavalos capazes de levá-los à velocidade máxima de 170 km/h e tanques com capacidade para 10 litros de combustível, surpreendeu Verdó e levantou o público presente. “Eles foram a sensação entre todas as corridas e, como percebi que andavam pra caramba, bateu a vontade de voltar”, conta Verdó.
Com tal pensamento em mente, o piloto bauruense tomou uma decisão: queria correr representando Bauru. Para isso, solicitou apoio - e obteve - do secretário municipal de Esportes, José Roberto Franco, o Sapé. “Apresentei o projeto a ele e fui atendido. Com isso, a secretaria me ajuda a bancar as despesas com combustível, inscrições e gastos gerais com o motor”, enfatiza.
Mas não bastou a Verdó correr atrás apenas de auxílio financeiro. Antes das provas ele passou por um período de adaptação que durou três meses, tempo suficiente para familiarizar-se com o kart, que por não possuir embreagem obriga a quem o conduz a trocar as marchas “no tempo” (número de rotações) do motor, e entrar em forma com os exercícios diários aliados à uma dieta balanceada.
“Não foi um período fácil, pois o corpo sente o baque. Mas foi extremamente benéfico, pois vivia estressado e tinha um princípio de gastrite. Depois que comecei a me preparar, sumiu tudo isso”, acentua Verdó.
Hoje, já totalmente acostumado a seu “novo” ritmo de vida e ao kart, Verdó se sente tão à vontade a ponto de considerar estar pilotando melhor que antigamente. “Em momento algum quando estou correndo lembro que tenho 49 anos”, salienta.
Por isso, Verdó entende que os limites humanos vão muito além da idade real da pessoa. “Ser velho depende da cabeça de cada um. Quem tem 50 anos ou mais tem toda chance e condição de fazer o que gosta. Sei que é difícil, mas basta ter força de vontade”, finaliza.
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Perfil
Nome: Gilberto Verdó Idade: 49 anos Profissão: Piloto Signo: Touro Cores preferidas: Verde e amarelo Time do coração: Palmeiras Um lugar bonito: Presidente Prudente Quem você nunca levaria para dar uma volta de kart?: “O ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah. Sempre disse que um dia ele acabaria com o esporte do Interior. Dito e feito.” E quem você faria questão de levar para andar de kart?: “Minha esposa Roseni, porque está sempre do meu lado.” O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?: “Os radares, que fazem muita gente honesta que não corre excessivamente por aí ser multada.” Que nota você daria aos motoristas bauruenses?: “Seis.”
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Duelo de gerações
Quem pensa que o experiente Verdó tem vida fácil durante as corridas na Copa Interior de Kart está enganado. Na categoria em que ele disputa não há limite de idade e, por isso, participam pilotos de 16 anos até os mais veteranos, como o bauruense, que é o mais velho entre todos.
Tal regra serviu de incentivo a Verdó, que a encarou como um desafio. “Se fosse para correr somente com os da minha idade, não teria disposição suficiente para voltar a competir. Isso porque, sem menosprezar os adversários, estaria em um patamar superior a eles”, frisa.
Durante os “pegas” com Verdó, os mais novos não amaciam, mas o respeitam, criando um clima saudável e alegre de rivalidade entre as gerações. “Até os mais novos brincam quando ando na frente deles falando que apanharam do véio”, revela o piloto bauruense, rindo. “Mas jamais ocorreu desrespeito devido à diferença de idade”, acrescenta.
Verdó destaca, ainda, que a categoria garante igualdade de condições a todos, outro ponto que o atraiu. “A única diferença é que há competidores com maior tempo de experiência dentro da própria modalidade”, compara ele.
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Carreira
Gilberto Verdó iniciou sua carreira vitoriosa nas pistas no final da década de 70, exatamente em 1977 e com 23 anos de idade. Até 1990, o bauruense correu no Paulista de Kart, modalidade em que conquistou dois vice-campeonatos - 1978 e 1984 - e dois títulos de campeão, em 1980 e 1990.
Um ano depois resolveu respirar outros ares e partiu para o automobilismo, onde logo na primeira temporada da Fórmula Ford 1600 conseguiu a terceira colocação na classificação geral. Na competição seguinte, ainda pelo mesmo campeonato, sagrou-se campeão.
Em 1993 e 1994, Verdó disputou a Fórmula 2, também conhecida como Super 1600, provas que marcaram sua “aposentadoria” no esporte. Após parar, passou a organizar, entre 1997 e 2001, corridas de kart pelo Interior paulista. Também tornou-se chefe de equipe do piloto bauruense Diogo Garcia.