Regional

Região é o berço dos fios de seda

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A seda, um tecido macio que dá sensualidade a mulher, está em alta na coleção Primavera/Verão 2004. Usado para vestir os imperadores há mais de mil anos antes de Cristo, ela nasce na região. Na cidade de Gália, a Beraldin Sedas dá vida aos fios que servem de matéria prima para a confecção de roupas e objetos de decoração.

Já em Duartina, a Bratac, a maior indústria de fiação de seda do mundo, transforma o inseto em fios que vão gerar os tecidos. É a seda que move a economia dessas cidade, de Lucianópolis, Fernão e muitas outras, onde estão os criadores do bicho-da- seda, o inseto que produz o casulo que dá origem aos fios.

Tida como artigo de luxo, a seda surgiu na China e só chegou ao ocidente pelas mãos dos grandes navegadores. Foi, durante muitos anos monopólio dos chineses, mas na nossa região ela chegou pelas mãos dos imigrantes japoneses.

A cidade de Gália concentra 54 sericicultores, comenta o pesquisador do Instituto de Zootecnia, da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, Antônio José Porto. “Cada produtor trabalha em média com três pessoas, geralmente da mesma família. Muitos são idosos que continuam trabalhando com a produção do inseto, porque é um serviço leve.”

Toda a cadeia produtiva está no município, ou seja, a produção do casulo, a fiação, a tecelagem, a estamparia e a confecção, informa o pesquisador. “A produção conserva a mão-de-obra do homem e o produto é totalmente natural, não leva nada de sintético.”

Quem usa a seda como vestimenta sabe que basta um toque para sentir sua maciez. Mas poucos conhecem a origem dela. Ela nasce do acasalamento da mariposa e após percorrer longo caminho se transforma em fio que dá origem ao tecido.

Segundo o pesquisador, é do acasalamento da mariposa que se tem os ovos, que eclodem, dão origem as larvas ou lagartas do bicho-da-seda. “Elas são alimentadas com a folha da amoreira. A lagarta era um inseto predador que o homem transformou em inseto útil.”

Na fase de lagarta, o inseto troca de pele até chegar na fase madura, quando começa a fabricar o casulo. “O casulo é uma proteção que o inseto fabrica para se livrar do inimigo natural dele que são os pássaros, répteis e até outros insetos.”

Um convênio da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo e Prefeitura de Gália orienta a produção de ovos e lagartas do bicho-da-seda. São 54 produtores. A safra do bicho-da-seda ocorre de setembro a maio. “O clima ideal para a amoreira exteriorizar seu potencial máximo de crescimento situa-se entre 20 a 30ºC, à sombra. No inverno é a época de poda da amoreira. Em temperaturas baixas, a lagarta não completa o ciclo.”

Curiosidades

• O casulo é como um novelo de lã. Cada um deles tem em média de 1.300 a 1.400 metros de comprimento

• Para se fazer um fio são usados aproximadamente 22 casulos

• Cada criada produz cerca de 500 quilos de casulo

• 100 gramas de ovos produzem aproximadamente cinco quilos de casulo

• 70% das funcionárias das fiações são mulheres, que se adaptam melhor ao delicado trabalho

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