Economia & Negócios

Artigo: As boas notícias que vêm do campo


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Mais uma vez, a agricultura paulista fechou o primeiro semestre deste ano com boas notícias. Uma amostra do que deve acontece quando fecharmos o balanço do ano e também uma ratificação de que o campo, ao contrário de muitos outros setores nos últimos meses, está em franco desenvolvimento.

A primeira boa notícia é que a safra de grãos deve ser a maior dos últimos dez anos, com a produção estimada em 6,9 milhões de toneladas. Esse resultado revela vários aspectos.

O primeiro refere-se à capacidade do nosso agricultor de ganhar produtividade como forma de compensar o fim da fronteira agrícola paulista. Em 1989, a área plantada era de 2.851,47 hectares, que produziram 5.138,30 toneladas. Já na safra 2001/02, a área destinada foi de 2.063,87 hectares, uma redução de 25%, com uma produção de 6.435,61 toneladas, um aumento de 25%. Já no caso brasileiro, a área plantada total foi ampliada 14,8% entre a safra 1990/91 para a de 2002/03, enquanto a produção cresceu 107,6% durante o mesmo período.

O segundo aspecto vai ao encontro do que concluiu o relatório da Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Desenvolvimento e Comércio (Unctad): em 12 anos o Brasil será o maior produtor mundial agrícola, já que temos 90 milhões de hectares de terras agricultáveis e ainda não-utilizados, sem precisarmos derrubar uma árvore. Este número é mais que o dobro do que exploramos hoje, 43,4 milhões de hectares.

A segunda boa notícia, também reflexo da primeira, é o resultado da balança comercial do agronegócio de São Paulo nos primeiros seis meses deste ano. O saldo atingiu US$ 1,8 bilhão, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano passado.

Exportamos mais18,9% e importamos menos 4,9%. Os principais destaques na balança comercial foram bovinos (com uma participação de US$ 700 milhões), frutas (US$ 570 milhões), especialmente suco de laranja (US$ 550 milhões), produtos florestais (US$ 530 milhões), cana e sacarídeas (US$ 450 milhões) e cereais / leguminosas / oleaginosas (US$ 220 milhões).

Em relação ao agronegócio brasileiro, o superávit foi de US$ 10,64 bilhões, 57,6% superior ao do primeiro semestre do ano passado, diferença entre as exportações, que somaram US$ 14,36 bilhões (+39,6%), e as importações, que foram de US$ 3,72 bilhões (+5,3%). As exportações paulistas representaram 22,2% de tudo o que agronegócio brasileiro colocou no mercado externo.

O desempenho do agronegócio na balança comercial e as estimativas crescentes de produção se aliam a outros fatores para justificar a previsão da ONU. Os Estados Unidos_ os maiores produtores agrícolas_ e os países europeus já chegaram ao esgotamento de suas fronteiras agrícolas e da possibilidade de expansão de sua produtividade.

Enquanto isso, o Brasil segue desafiando positivamente a conjuntura internacional. Conta com condições de solo e clima favoráveis, além da capacidade de seus agricultores de produzir mais e melhor.

O autor, Duarte Nogueira, é Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

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