1997. Eu não via a hora que esse ano acabasse. O último ano do colegial ia tornando-se insuportável. Não bastasse o excesso de estudo, a pressão para que passássemos no vestibular e a briga com a professora de redação. Eu ainda estava na mesma classe da menina, que fora minha amiga e confidente, e que agora ocupava o meu lugar no coração do meu grande amor, que eu continuava a amar.
Ela não perdia as oportunidades de “esfregar” na minha cara toda a sua felicidade e a aliança de compromisso que tinha ganho dele. Eu achava que não havia nada a fazer, já que ela havia sido a escolhida. Mas aquilo doía muito, principalmente quando alguém vinha me dizer que ele estava muito confuso e que se pudesse ficaria com as duas. Grande consolo!
Felizmente, o final do ano se aproximava, em breve nos formaríamos e seguiríamos caminhos diferentes.
Eu só ia participar da festa de formatura porque a escola bancou a maior parte dos gastos por eu ser uma boa aluna, mas não estava nem um pouco motivada, pois sabia que não seria nada agradável vê-los juntos e felizes a noite toda. O que eu tinha para comemorar?
O grande dia chegou, enfim nos formaríamos. Coloquei um vestido simples, mas bonito. Preto. Meu coração estava de luto.
Ninguém sabia que haveria homenagens, mas no ápice da cerimônia de colação de grau, chamaram os três melhores alunos entre os 90 formandos para serem homenageados. E, para a minha surpresa, eu era a segunda colocada. Desci a rampa triunfante. Naquele momento meu olhar procurava por ele na platéia. Como eu queria que ele estivesse ali! Mas, provavelmente, ele não estava. Se estivesse, meu sexto sentido o localizaria rapidamente como sempre fez. Não importava. Agora aquele momento estaria registrado para sempre nos filmes de formatura de todos os alunos, inclusive no dela, no filme que eles assistiriam juntos.
Eu nunca pensei que aquele baile, do qual eu nem queria participar, seria o melhor da minha vida. Ele olhou para mim a noite toda com amor e admiração, mas foi embora cedo porque ela estava muito zangada.
No ano seguinte, entrei na faculdade, passei em todos os vestibulares que prestei; USP, Unesp, Unicamp: agora eu podia escolher.
Vida nova, tudo diferente, só uma coisa permanecia: o amor por ele. Este demorou para passar, foi se desfazendo aos poucos, bem devagar... Encontrei-me com ele mais uma vez nesse mesmo ano. Mas ele não era mais o mesmo. Não era mais o homem que eu havia amado. Não era mais aquele homem seguro que fazia as meninas suspirarem nos bares da Getúlio. Estava totalmente dominado por ela. Nesse dia me despi do meu amor por ele.
Mas ainda guardo com carinho essas doces lembranças. Elas não envelhecem como as fotografias, não podem ser desgravadas como os filmes e nem podem ser manchadas... Não me recordo desse tempo com tristeza. A dor ajuda a amadurecer. O sofrimento faz crescer... e cada um encontra um caminho e uma maneira de ser feliz. Hoje, sou uma mulher bem-sucedida e feliz. Tudo isso faz parte do passado, faz parte da minha história.
Aline