Botucatu – A Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) lançou ontem o programa “Respirando em Harmonia”, com o objetivo de restringir as áreas destinadas aos fumantes e reduzir o índice de tabagismo entre alunos, professores, pacientes e usuários do Hospital das Clínicas.
Entre as ações previstas pelo programa, determinadas por portarias, está a instalação de dez áreas sinalizadas, restritas para utilização dos fumantes, batizadas como “fumódromos”.
Essas estruturas, dotadas de cobertura e cinzeiros, estão espalhadas ao longo da área externa dos prédios da faculdade e do hospital. A primeira delas já entrou em funcionamento ontem, junto ao Pronto-Socorro.
Dentro da mesma política, a diretoria da faculdade criou um Centro de Dependência da Nicotina que, agregado ao Ambulatório de Tabagismo, deverá realizar um trabalho de fiscalização e orientação aos fumantes, encaminhando ao tratamento aqueles que estejam dispostos a abandonar o vício.
A professora da área de pneumologia, Irma de Godoy, coordenadora do programa, afirma que nesse primeiro momento, os fumantes serão orientados sobre a existência dos fumódromos. Depois dos seis primeiros meses, serão aplicadas sanções àqueles que persistirem na transgressão das normas.
Godoy lembra que o Hospital das Clínicas de Botucatu deve ter uma conduta modelo em relação ao problema do tabagismo, já que a instituição é referência na área de saúde. “Nós temos a obrigação de servir de exemplo para a população, em relação a comportamentos de qualidade de vida”, afirma.
A iniciativa, segundo os idealizadores, não tem como objetivo perseguir ou marginalizar fumantes, mas sim apoiá-los no processo de abandono do vício e preservação da saúde.
Segundo a assessoria de imprensa da faculdade, há vários anos, a instituição vem desenvolvendo campanhas internas contra o fumo, através de seu Ambulatório de Tabagismo e do Centro Saúde Escola.
Atividades
O programa “Respirando em Harmonia” realizará uma série de atividades nesta semana, por ocasião do Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado na próxima sexta-feira, dia 29.
Hoje, às 14h30, e amanhã, às 11h, estão previstas aulas abordando questões sobre o tabagismo. Durante toda a semana, a coordenadora da campanha também ministrará palestras para alunos, servidores e pacientes.
Na próxima quinta e sexta-feira serão distribuídos folhetos sobre o programa, além de publicações alertando sobre os riscos do cigarro. Na ocasião, também serão aplicados testes sobre a intensidade do vício, indicando caminhos para aqueles que desejam parar de fumar.
• Serviço:
Todo material da campanha está disponível no site www.fmb.unesp.br.
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Pesquisa
Em 2002, pesquisa realizada na Unesp de Botucatu revelou que o grupo de fumantes representava 21,4% de toda corporação da faculdade e de suas unidades filiadas.
O estudo também apontou que a maior parte dos fumantes estava entre os servidores técnico-administrativos (72%), com o vício predominando, principalmente, entre os funcionários de menor escolaridade.
O segundo e terceiro grupo de fumantes eram formados por alunos (19%) e por docentes (9%).
Segundo a coordenadora do programa “Respirando em Harmonia”, Irma de Godoy, pesquisas apontam que quanto maior a escolaridade e o nível social menor a prevalência do fumo. “Há uma associação entre a dependência ou o hábito, classe social e também o nível de educação”, afirma.
Doenças
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, o consumo de derivados do tabaco causa cerca de 50 doenças diferentes, principalmente as cardiovasculares (infarto, angina), câncer, e doenças respiratórias obstrutivas crônicas (enfisema e bronquite).
O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1,2 bilhão de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres), sejam fumantes.