A professora e pedagoga Marilene Silva Guerrero, 61 anos, é a nova dirigente regional de Ensino de Bauru. Ela assumiu o cargo ontem, em substituição a Júlio César Razera, que estava na função interinamente desde o final do mês passado, quando o então dirigente de Ensino Jair Sanches Vieira deixou a vaga para ser supervisor pedagógico da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem).
Guerrero conta que participou do processo seletivo aberto pela Secretaria de Estado da Educação para a escolha do novo dirigente com mais três candidatos. Bauruense e filiada ao PSDB, ela diz que dará continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido na Diretoria de Ensino e investirá no reforço escolar paralelo às aulas.
Para ela, o reforço, oferecido em todas as escolas estaduais para alunos com desempenho abaixo da média, pode ajudar muito a melhorar a qualidade do ensino na rede pública. Mas para isso, Guerrero sabe que terá que conscientizar os alunos e seus pais sobre a necessidade de participação nas aulas de reforço, que são dadas em período diferente ao de aula.
“Nós tivemos um avanço na qualidade de ensino com a capacitação dos professores. Porém, temos um entrave com a progressão continuada, que é maravilhosa, mas o aluno com deficiência precisa participar das aulas de reforço”, diz. Atualmente, a freqüência nas aulas de reforço em Bauru é muito baixa, segundo Guerrero.
Em média, numa sala de 35 a 40 anos, entre cinco e 12 precisam das aulas de reforço. No entanto, em algumas escolas menos da metade desses estudantes freqüenta as aulas de reforço. “Vamos aproveitar o Programa Escola da Família, em que o pai vai até a escola, para conscientizá-lo de que as aulas de reforço são importante e gratuitas. Se fosse uma escola particular, ele teria que pagar as horas dessas aulas”, compara.
Para tentar aumentar o índice de freqüência dos estudantes no reforço escolar, além de pedir a colaboração dos pais, para que levem seus filhos para a escola no horário marcado para a aula adicional quando for preciso, Guerrero tem outra proposta: oferecer almoço ou lanche e manter o aluno na escola até a aula de reforço.
“Se você manda o aluno para a casa, ele não volta. Por isso, as escolas já estão se virando para oferecer o lanche reforçado depois da aula para que o aluno que precisa do reforço escolar não vá para casa depois do período normal de aula”, explica.
Na rede estadual, os alunos têm cinco horas de aula por dia. O reforço é de mais de duas horas de estudos. A nova dirigente regional de Ensino ressalta que também quer ampliar as parcerias com a sociedade e o Programa Escola da Família, que oferece atividades nas escolas nos finais de semana para toda a comunidade.
Guerrero é funcionária de carreira na rede estadual de ensino. Até anteontem, ela era diretora da escola Antônio Ferreira de Menezes, localizada no Alto Alegre. Ela conta, orgulhosa, que formou-se professora após casar-se e ter quatro filhos. “Eu comecei a carreira em 1974, como professora da rede municipal e estagiária na rede estadual, onde depois fui efetivada. Fiz pedagogia e me tornei diretora, sempre trabalhando em escolas de periferia”, frisa.
Na nova função, ela afirma que vai trabalhar em conjunto com todos os funcionários e professores da Diretoria de Ensino e precisará de parceiros. Razera, que também é funcionário de carreira na Secretaria do Estado de Educação e ocupou o cargo de dirigente de Ensino por um mês, volta à função de assistente técnico pedagógico na Diretoria de Ensino de Bauru.