Reporto-me a carta nesta coluna “O absurdo acontece” (25/8), de autoria do prezadíssimo advogado Carlos Sandrin. Também li o artigo de Silo Meireles, diretor da Editora Primeira Impressão - Analfabetismo escolarizado - JC (8/8, pág. 2). Inicia o sr. Meireles afirmando que: “A Unesco e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico confirmam que a escola brasileira não sabe ensinar a ler. Ficamos em 37.º lugar num grupo de 41 países, à frente de Macedônia, Albânia, Indonésia e Peru.”
O sr. lembrou bem, dr. Sandrin: “No passado, com pequenas cartilhas e cadernos de 8 folhas o aluno se tornava até sábio, o que não se está vendo hoje.” Ingressei no magistério público primário do Estado no início dos anos de 1950, em escola isolada rural, no município de Alto Alegre. Em 1958, por concurso de remoção escolhi o então Grupo Escolar de Vila Seabra, na praça Marechal Rondon, que iniciava suas atividades nesse ano, tinha sido inaugurado no final de 1957, pelo ex-prefeito Avalone Jr.
Lembro-me, o aluno iniciava o ano letivo na primeira série, completamente analfabeto, não havia pré-escola como hoje. Em agosto ou setembro, era realizada a festa da entrega do livro. Os alunos que já haviam terminado a Cartilha, liam e escreviam satisfatoriamente recebiam seu primeiro livro. Era uma festa bonita, diretor, professores das primeiras séries, alunos e seus pais, todos no pátio da escola, cuja festa iniciava com o hasteamento da Bandeira Brasileira e canto do Hino Nacional. Desse dia em diante, os alunos que recebiam o livro, passavam a ter aulas diárias e leitura e interpretação dos trechos lidos.
É triste ouvir comentários, ler na imprensa reportagens, artigos, que alunos chegam hoje na oitava série do ensino fundamental sem saber ler e escrever. Abrir as escolas públicas nos sábados e domingos para a comunidade, como show semelhante a espetáculo pirotécnico, é uma coisa. Outra é desenvolver um programa real de melhoria do padrão de qualidade do ensino. O piso salarial do professor de R$640,00 é desvalorizar os profissionais do ensino, conseqüentemente o exercício do magistério.
Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério estadual