No princípio eram os rios. O paredão verde da floresta emoldurando o espelho d’água e o homem buscando sua subsistência numa simbiose paradisíaca com o meio ambiente. Mas o progresso chegou de forma desordenada, ceifando inadequadamente o solo, alterando a vida dos caboclos, lançando as populações ribeirinhas num turbilhão de contradições e incertezas.
A preocupação com a ecologia, porém, não é exclusivamente um fardo, como encaram alguns políticos. Existem alguns focos onde a proteção da natureza é vista com naturalidade. É o caso de um poeta amazonense, um exímio defensor do meio ambiente, que diz: “Os crimes de devastação da natureza, especialmente na Amazônia, são graves demais para continuarem impunes”, e preparou o preâmbulo do poema “Funeral amazônico”, que termina assim: “Sentimento de culpa dói tão fundo. Nossa Amazônia está se transformando no deserto maior de todo o mundo.” A minha frase para ir de encontro ao poeta amazonense é esta: não poluir é tão importante quanto produzir, e une-se à luta pela conservação de nossa fauna e flora, as fontes de vida na terra.
João Álvares - da Academia Bauruense de Letras - Cadeira n.º 17