Paulistânia – A Polícia Civil de Paulistânia (49 quilômetros a Sudoeste de Bauru) instaurou um inquérito para apurar denúncias contra o ex-vereador da cidade Márcio Roberto Idalgo (PSDB), o Pigê.
Conforme matéria publicada pelo JC, o ex-parlamentar é acusado de ter depositado em conta particular dois cheques no valor de R$ 490,00 destinado ao pagamento de uma empresa de informática, que havia prestado serviços para a Câmara. Após a repercussão do caso, em maio deste ano, Pigê renunciou ao mandato.
O inquérito foi instaurado no início deste mês a pedido do Ministério Público de Agudos, depois da conclusão dos trabalhos da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Paulistânia. Mesmo após a renúncia do vereador, a comissão decidiu dar prosseguimento às investigações e, ao final do trabalho, encaminhou as denúncias ao MP.
Segundo o parecer da CEI, através da requisição de microfilmes, constatou-se que os cheques teriam sido depositados nos dias 4 de julho e 24 de setembro do ano passado, na conta particular do ex-vereador, no banco Nossa Caixa. Na época, Pigê ocupava o cargo de presidente da Casa.
O relatório final da comissão acusa o vereador de improbidade administrativa e falta de decoro parlamentar.
O Ministério Público (MP) de Agudos também está acompanhando o caso. Segundo o promotor Julio Cesar Rocha Palhares, o parecer da CEI carece de provas, por isso a Promotoria está aguardando o trâmite do inquérito policial. Palhares afirma que o que chegou até ele, por enquanto, seriam apenas indícios. “Analisando as provas do inquérito eu vou tomar as medidas que eu entender cabíveis”, afirma. Se comprovada as denúncias, não está descartada a possibilidade do MP entrar com uma ação civil para reparação de danos públicos.
Na esfera criminal, segundo o delegado Antônio das Neves, responsável pela delegacia de Paulistânia, Pigê pode responder por crime de improbidade administrativa, cuja pena prevista vai de dois a 12 anos de reclusão. Se condenado, o ex-vereador também pode ter os direitos políticos suspensos por um período de cinco a oito anos.
"Não devo nada"
O ex-vereador afirma que não fez nada de errado e que as acusações levantadas pela CEI foram desencadeadas por perseguição de adversários políticos. “O problema deles comigo é pessoal. Eles não gostam de mim mesmo”, afirma. “Eu vou provar que eu não devo nada”, completa. A denúncia contra o vereador partiu do atual presidente da Câmara, Livino Rodrigues (PSDB).
Pigê afirma que trabalha na mercearia de propriedade da irmã e que a conta onde supostamente teriam sido depositados os cheques é da empresa, e não dele. “Eles estão acusando que a conta é minha, mas é da empresa. É comércio, entrou o cheque aqui como entram vários cheques”, justifica.