O Teatro Municipal de Bauru recebe mais uma estréia nacional hoje. O ator e diretor Roberto Cordovani, juntamente com Eisenhower Moreno encenam, às 21h, no “Celina Lourdes Alves Neves”, a peça “A Volta do Parafuso”, baseada no livro de Henry James.
O espetáculo terá uma única apresentação em Bauru e depois segue para Belo Horizonte, São Bernardo e São Paulo e depois para a Europa, onde Cordovani vive há alguns anos e comanda a Cia. Internacional de Teatro de Repertório Arte Livre do Brasil, desde 1985.
O ator, que assina a direção, a trilha sonora e a iluminação da peça com Moreno, preza por encenar clássicos do teatro mundial e adaptar ou criar textos que marcaram época, como o caso de “A Volta do Parafuso”, um dos livros mais famosos do americano James.
A obra no Brasil foi publicada com o título de “Os Inocentes”, o mesmo do filme da década de 60 com Deborah Kerr, no papel interpretado por Cordovani no palco. O livro e a peça contam a história de uma governanta contratada para cuidar de um casal de crianças numa casa de campo inglesa assombrada pelos fantasmas de antigos criados.
Um dos destaques do espetáculo são os cenários, assinados por Burle Marx e os figurinos, que levam a grife de Christian Dior em conjunto com André Correia, além dos efeitos de luz e som, importantes numa história de fantasmas. Ontem, antes do bate-papo que realizou no teatro, o ator concedeu uma entrevista sobre a peça ao JC.
Jornal da Cidade - Por que a escolha deste texto? Roberto Cordovani - Nossa companhia, a Arte Livre do Brasil, este ano criou um projeto sobre mulheres más, que são assassinas, transgressoras. A “Volta do Parafuso” vem de encontro a mulheres reprimidas, más, diabólicas. É um tema que fala sobre esquizofrenia, repressão sexual, sobre o peso da religião na vida sexual das pessoas. Apesar de ser um romance que foi escrito há mais de 100 anos, os temas são atuais, só mudam as roupas.
JC - Como foi adaptar uma obra tão famosa e antiga? Cordovani - É um espetáculo muito difícil, onde nós buscamos abordar, pela primeira vez, o ritmo do suspense no teatro, uma coisa que geralmente é o cinema que faz. Nós demos um outro tratamento à dramaturgia e o espetáculo todo tem um corte bastante cinematográfico para dar andamento a esse ritmo. A peça tem uma hora e quinze minutos de duração, com 40 efeitos de luz e mais de 30 mudanças de som.
JC - O que o público pode esperar? Cordovani - É uma obra contada pelo diário da minha personagem, que ela vai ao mesmo tempo escrevendo e contando a história. É uma história muito intrigante, bonita e muito cinematográfica. É uma peça muito excitante e terrível, acho que o público vai ficar bastante impressionado.
JC - Por que a escolha de Bauru para a estréia nacional? Cordovani - Bauru acabou se tornando a primeira cidade em que estreamos nacionalmente um espetáculo. Em 2001, nós estreamos o musical “Lola”, do cineasta alemão Fassbinder, no mesmo teatro. É uma boa coincidência.
• Serviço
“A Volta do Parafuso”, de Henry James. Hoje, às 21h, no Teatro Municipal. Apoio: Jornal da Cidade, Secretaria Municipal de Cultura, Disbauto, Unesp FM, TVTEM, Rádio Auri-Verde e Gráfica Kromos. Avenida Nações, 8-9. Informações: (14) 235-1072.