Em um passado não muito distante, comprar um automóvel para revendê-lo depois de determinado período de tempo era garantia de lucro certo e um investimento com retorno garantido. Graças à inflação, conseguia-se “valorizar” um veículo até mesmo após utilizá-lo durante um ano ou mais. Entretanto, atualmente isso já não é possível, nem viável em termos financeiros.
É o que garantem representantes de concessionárias e um economista entrevistados pelo AutoMercado&Cia. Um dos que concordam com tal raciocínio é Alexandre Cedroni, proprietário da Normandie/Peugeot, que sustenta ser possível ganhar dinheiro no mercado automotivo atual tendo outra mentalidade.
Segundo Cedroni, dificilmente consegue-se comprar um carro hoje e revendê-lo valorizado após um ano de uso. “É algo raro de ocorrer”, enfatiza. “No passado, muitos preferiam adquirir um veículo a deixar o dinheiro no banco, pois vivíamos em uma ciranda inflacionária que aumentava o custo do auto.Isso não compensa mais devido à estabilidade da moeda”, explica.
Em contrapartida, Cedroni avalia que, em relação à segurança patrimonial, os veículos sempre serão um excelente investimento. “Ter um carro hoje é ter um bem com extrema liquidez. Em uma emergência, mesmo que a pessoa não revenda pelo valor de mercado, ela arrecada dinheiro fácil, pois tudo que gira em duas ou quatro rodas tem seu preço e comprador”, considera.
Outro que compartilha de igual opinião é Renato Tambara Neto, gerente de vendas da concessionária Baurucar/Volkswagen. Para ele, o carro transformou-se um bem de consumo normal, como um telefone celular ou uma televisão. “O automóvel ainda é um certo investimento, mas não para dar retorno financeiro”, destaca.
Segundo o gerente, ao adquirir um veículo o consumidor tem de pensar que efetuará um duplo investimento. “Carro é segurança, conforto e benefícios, especialmente quando se trata de questões patrimoniais e de satisfação pessoal”, avalia.
Ele explica sua posição argumentando que o carro pode ser considerado um porto seguro em momentos de crise. “Veículo na garagem é dinheiro na mão. Se você se apertar ou tiver algum problema familiar, é fácil vendê-lo, por mais caro que ele seja e mesmo que isso implique em uma quantia abaixo daquela que se esperava de seu valor de mercado”, frisa Renato.
Além disso, o gerente defende que o automóvel é capaz de gerar satisfação pessoal. “Não há maior e melhor investimento do que investir em você. O prazer de adquirir um carro zero ou um mais novo é semelhante ao de pagar uma viagem. Nesta você não terá retorno financeiro, mas sim particular e, se um indivíduo não se der ao luxo de fazer isso, é capaz de ficar louco. Nesse sentido, vale a pena investir em um veículo.”
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Mercado tem opções vantajosas
O economista bauruense Carlos Roberto Sette explica que, na época da inflação galopante, era possível “valorizar” um automóvel graças ao giro de capital especulativo. “Basta lembrar que, antes da adoção do Plano Real, em julho de 1994, a inflação era de cerca de 3.000% ao ano”, recorda.
Por isso, com o fim da ciranda inflacionária e o início da estabilidade da moeda nacional, o carro deixou de ser um investimento financeiro com retorno garantido. “A obtenção do lucro voltou-se mais à produtividade do que à especulação. Esse é o princípio básico de toda economia estabilizada, como nos países desenvolvidos”, ressalta.
Desta forma, enfatiza Sette, os chamados fundos de renda fixa e as ações tornaram-se opções financeiras mais vantajosas no mercado. Isso porque, segundo o economista, são aplicações que propiciam liqüidez, ou seja, são fáceis de ser convertidas em dinheiro em curto prazo, característica também associada aos automóveis.
No entanto, Sette esclarece que a escolha por uma delas dependerá do perfil do investidor. Ele destaca que os fundos de renda fixa são uma opção mais conservadora, uma vez que o rendimento, no mínimo, acompanha os índices da inflação.
Comparando com os serviços prestados por um banco, o economista argumenta que os fundos funcionam de forma semelhante a uma conta corrente. “Você pode efetuar depósitos e resgatar no momento que lhe for mais conveniente e o retorno é garantido”, diz.
Já as ações possuem maior risco, mas tem-se a chance de ganhar mais, conforme Sette. “Os bancos administram uma espécie de cesta de ações que, se uma sobe e outra desce, o investidor ganha na média”, detalha Sette.
Ele sustenta que, apesar destas aplicações já encontrarem-se amplamente difundidas entre profissionais do mercado financeiro, o mesmo não ocorre em relação à população de forma geral. “Muitos não têm por hábito investir em fundos de renda fixa ou ações por falta de informação a respeito”, considera.
Outra opção lembrada pelo economista é a poupança, mas ele é taxativo. “Entre todos, é o investimento mais conservador e de menor rentabilidade, pois não acompanha nem a inflação”, pondera Sette.