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Médicos de Ribeirão Preto participam de debate na FOB

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

O diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, Ayrton Custódio Moreira, e o membro do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Estado de São Paulo, Nelson Okano, participaram de um debate sobre a profissão, realizado durante a semana passada na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), e alertaram para a falta de clínicos gerais.

“Hoje, todo mundo é especialista. É um cidadão que sabe tudo de nada, e nada de tudo. Eu, como clínico geral, sou uma espécie em extinção”, opina Okano.

Recentemente, o Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo encontrou dificuldades para contratar clínicos gerais e o concurso público que promoveu não conseguiu preencher todas as vagas.

Moreira revela que a USP de Ribeirão Preto tem adotado medidas curriculares para tentar reverter esse quadro. “Estamos fazendo alterações no internato, colocando os alunos nos dois últimos anos para readquirirem a formação geral. Aí sim, depois disso, eles podem fazer uma especialização. Temos que voltar a formar o clínico geral”, afirma.

Para ele, o próprio paciente precisa aprender a valorizar esse profissional. “Culturalmente, a nossa população está acostumada a rodar pelos especialistas, quando deveria, na verdade, procurar o clínico geral primeiro”, diz.

O diretor defende também a ampliação do Programa Saúde da Família, que leva os médicos para visitarem residências. “A atenção primária, além de prevenir, humaniza o atendimento”, declara.

Segundo ele, o mercado de trabalho para os profissionais do setor já está saturado. “A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de um médico para cada 1.000 habitantes. No Estado de São Paulo, essa relação é de um para cada 443 e, em Bauru, de um para cada 672 habitantes”, diz Moreira.

Para Okano, o grande número de faculdades de medicina tem prejudicado a qualidade dos futuros profissionais.

“Estamos tendo médicos processados no mesmo ano em que se formam, coisa que nós não tínhamos antes. Tivemos dois casos assim em 2002 e, neste ano, um recorde, que foi um cidadão com menos de um mês de CRM sendo processado por um possível erro médico”, revela.

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