Regional

Esgoto preocupa maioria das cidades

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O rio Tietê, próximo a São Paulo, é o retrato do descaso que se tem com o tratamento de esgoto. Há dez anos, poucos municípios do Estado tratavam o esgoto para não poluir os rios. A lei ambiental de 98 deu um puxão de orelhas nos governantes. Hoje, 42 municípios tratam o esgoto. Cheirando à morte, o Tietê pede socorro. Sua despoluição depende da limpeza da água das cidades que despejam esgoto e sujeira em toda a sua extensão.

Para salvar o rio que abastece inúmeros municípios e evitar que córregos e rios da região atinjam este nível de poluição, as autoridades municipais estão tentando fazer a tarefa de casa. Em Agudos (18 quilômetros a Sudeste de Bauru), a vontade do município está bloqueada porque a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), responsável pela água e esgoto da cidade, não fez as obras de tratamento dos dejetos.

O município, que pretende tratar o esgoto e evitar a poluição dos córregos Agudos e Bom Sucesso, não se conforma com o descaso da Sabesp e recorreu à Justiça para resolver o problema. Numa primeira fase, conseguiu suspender a tarifa de esgoto que era cobrada pela empresa.

Neste mês, nova vitória junto ao Judiciário. Os moradores da cidade de Agudos terão direito a receber de volta os valores pagos indevidamente pelo tratamento de esgoto, que nunca existiu. A devolução do dinheiro depende da confirmação da decisão e de outros procedimentos.

Garça, Vera Cruz, Barra Bonita, São Manuel, Pederneiras e Botucatu, entre outras, estão com obras em andamento para deixar de lançar o esgoto in natura nos mananciais. Pensar no destino do esgoto produzido diariamente por todas as residências não é uma prática dos brasileiros. A maioria nem pensa para onde vão os dejetos. Quer é se livrar deles deixando para que o governo dê um destino.

Essa maneira simplista de pensar tem causado males que em pouco tempo serão irrecuperáveis ou exigirão investimentos maciços. Sem água não há vida e o homem vai pagar um preço alto pela falta de conscientização em relação ao meio ambiente.

O vereador e membro do Instituto Vidágua de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB), frisa que nas cidades menores é mais fácil tratar o esgoto, porque pequenos tanques resolvem o problema, sem exigir grandes investimentos, o maior obstáculo para execução de obras.

Segundo ele, a região do baixo Tietê está com o esgoto 100% tratado. “O maior problema enfrentado pelas prefeituras é a falta de recursos financeiros. Em cidades de médio para grande porte os investimentos a ser feitos são altos. Nas pequenas lagoas, não se usa energia elétrica enquanto que nas maiores é necessário a oxigenação da água.”

Ele cita a cidade de Penápolis (180 quilômetros a Noroeste de Bauru) para exemplificar o quanto o tratamento de esgoto e os investimentos em saneamento podem influenciar na saúde pública. “Cada R$ 1,00 investido em saneamento significa menos R$ 5,00 em investimentos em saúde.”

De acordo com o vereador, na cidade de Penápolis o saneamento básico foi item prioritário. “O esgoto é tratado em seis lagoas e a água é devolvida ao Ribeirão Lageado com grau de 95% de limpeza.”

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