Não. Não se trata do Brasil, mas do livro homônimo do americano Michael Moore, o maior crítico do presidente Bush, ao qual faz questão de referir-se como “presidente”, assim mesmo, entre aspas. No livro, muito bem fundamentado, o autor mostra os bastidores nos quais foram possíveis levar um candidato que não teve a maioria dos votos, ao cargo mais importante do mundo. Não poupa o atual presidente de todos seus deslizes do passado; seu envolvimento com bebidas, suas prisões, bem como mostra sua entrada para a universidade sem ter conseguido média suficiente para tanto.
O livro foi escrito antes de 11 de setembro de 2001, e sua publicação ocorreu somente após o ataque ao World Trade Center, e apesar da aposta contra, o mesmo tornou-se best-seller. Nada mal para um autor cuja especialidade é atacar de forma irônica os ocupantes das administrações americanas, sejam elas republicanas ou democratas, sendo ele mesmo um militante das siglas nanicas do sistema político de lá, o que não o impede de ganhar dinheiro (muito dinheiro!) com isso; e de quebra alguns prêmios (Oscar, inclusive), por suas produções para o cinema e a TV. O livro, como era de se esperar entrou para a lista dos mais vendidos também aqui no Brasil, país que ostenta o segundo maior grau de antiamericanismo do mundo (só perdemos para a Jordânia - vide Revista Veja n.º 1815 de 13/8/03).
Não é nada cômodo saber que temos alguém tão despreparado dirigindo os destinos do mundo. Aliás, o mundo hoje apresenta uma grande lista de governantes fracos. O Brasil, infelizmente, não pode se orgulhar de ficar fora dela. Não somos uma nação de idiotas, porém, nosso povo tem sido constantemente idiotizado pela mídia, levando-os a acreditar em pessoas que tão logo conseguem o que querem, esquecem tudo que prometeram. O poder da mídia sempre foi muito visível, principalmente nos períodos eleitorais, nos quais são feitas pesquisas que resultam em prognósticos com margens de acerto de centésimos. Grande parte desses acertos deve-se ao fato de que vivemos num país em que os jogos são a razão de viver de seu povo, e este nunca quer perder, e para “acertar”, prefere “jogar” naquele que está na frente. Na última eleição muitos fizeram isso: “acertaram”. Perdemos todos nós!
Grato pela publicação.
Antonio Vitorino Ferreira - RG 9.817.501