Num cenário de recessão, endividamento e desemprego, consumir traz sentimento de culpa, aponta a pesquisa “Sonhos de consumo...”. Mesmo assim, a maior parte dos consumidores se declara “compradora impulsiva e dependente de suas marcas prediletas”, embora questione a irracionalidade da satisfação via consumo e ataque a ilusão das marcas.
Proprietária de duas lojas de grifes exclusivas na cidade, voltadas para um público de elite, a empresária Loulou Massad admite que chega a questionar o alto preço das roupas que vende: “A gente sente assim: como que uma peça dessa pode custar isso?”
Característica evidenciada pelo estudo, a fidelidade desse “consumidor de marca” faz com a crise econômica não chegue a estremecer as vendas voltadas para o público classe A e B. “A gente sente que uma fatia grande parou de consumir, mas quem sempre usou certas marcas continua usando”, conta Loulou.
A empresária afirma que gostaria de colocar marcas mais baratas em suas lojas, mas sua equipe discorda. A gerente de uma das lojas, Ciça Bonsi, enxerga a questão por outro viés. Para ela, as peças caras, com a marca do estilista e da empresa que produz, valorizam e incentivam a ascendente indústria da moda brasileira, o que é melhor do que consumir roupas baratas que venham da China ou da Coréia.
Para um público bem-informado e com dinheiro para gastar, argumenta Ciça, investir na moda brasileira é uma maneira de criar empregos e, de qualquer modo, consumir de maneira “socialmente responsável”.