O setor de alimentação foi o grande responsável pela elevação no valor da cesta básica em Bauru no mês de agosto. A soma total dos 31 produtos da cesta ficou em R$ 195,26, valor que é 1,5% superior ao registrado em julho (R$ 192,36). Em comparação com agosto de 2002, o mês passado fechou com alta de 23,74%. Os dados são do Data-ITE, órgão de pesquisas ligado à Faculdade de Ciências Econômicas da Institutição Toledo de Ensino (ITE).
Dos três grupos pesquisados - alimentação, limpeza doméstica e higiene pessoal -, apenas o primeiro apresentou alta em relação a julho: 3,43%. Limpeza e higiene apresentaram queda de 0,03% e 8,87%, respectivamente. Os itens do setor de alimentação somaram R$ 145,25 em agosto, contra R$ 140,43 do mês anterior.
Entre os dez itens que apresentaram maiores elevações em agosto, oito são do setor de alimentação. O primeiro lugar coube à água sanitária, que aumentou 46,2%. Em seguida, leite em pó integral (alta de 30,6%), cebola (21,6%) e carne de primeira (16,1%) foram os produtos que mais subiram.
No entanto, levando em consideração o valor ponderado dos produtos (isto é, a variação em relação ao peso sobre o total), os principais “vilões” são o leite em pó, que empurrou o valor da cesta em 1,5%, e a carne de primeira e a de segunda sem osso, com alta ponderada de 1% cada.
Por outro lado, itens básicos como o feijão (com queda isolada de 30,3% no mês), a batata (valor 39,6% menor) e o papel higiênico (preço 27,4% mais baixo) contribuíram para evitar um aumento ainda maior no valor da cesta básica.
Para o coordenador do Data-ITE, economista Reinaldo César Cafeo, o aumento de 1,5% é pouco identificado pelo consumidor, que tem sensação de aumentos mais significativos. Segundo o economista, também não é possível apontar uma tendência clara de alta ou baixa no valor da cesta, devido às oscilações nos últimos meses.
Na opinião de Cafeo, o importante é comparar o valor de hoje (R$ 195,26) com o de agosto do ano passado (R$ 157,80) - variação de 23,74%. “Isso é relevante na medida em que a renda média do trabalhador não foi reajustada nesse patamar”, aponta. E acrescenta: “Lamentavelmente, nos parece que os preços dificilmente voltarão aos do ano passado e as reposições salariais ficarão aquém do necessário para repor o seu poder de compra.”