Polícia

Esposa de PM é presa, mas nega crime

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Matilde Pizinelli Ribeiro, esposa do policial militar morto há 12 dias e acusada de encomendar o assassinato do marido, foi conduzida ao Presídio Feminino de Cabrália Paulista ontem à tarde, após receber alta do Hospital de Base (HB) de Bauru.

Ainda pela manhã, ela foi encaminhada à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) para prestar depoimento, mas decidiu falar somente em juízo. À reportagem do Jornal da Cidade, garantiu que é inocente e que amava o PM Edvaldo Rozante Ribeiro.

“O Código do Processo Penal prevê o direito dela ser ouvida somente em juízo. As investigações não serão prejudicadas por isso”, informa o delegado titular da DIG, J.J. Cardia. Ainda nesta semana, a delegacia deve concluir um relatório com dados das investigações que será encaminhado ao 2.º Distrito Policial (DP), onde um inquérito sobre o homicídio será instaurado.

“É bastante sugestivo o fato dela não ter prestado depoimento porque era uma oportunidade que ela tinha para apresentar a sua versão. Não recebemos isso como uma confissão, mas pode ser um indício da participação dela”, explica o delegado titular do 2.º DP, Antonio Carlos Piccino Filho.

Ele aguarda os laudos residuográficos, da arma e dos projéteis, além do exame de balística (realizado em São Paulo) para dar continuidade ao inquérito.

“Existe a possibilidade de agendarmos a reconstituição do crime”, prevê Piccino, que espera encerrar o trabalho em menos de um mês, enquanto Matilde estiver cumprindo prisão temporária - de 30 dias.

A história

Na semana passada, a Justiça decretou a prisão temporária de Matilde Pizinelli Ribeiro, 32 anos, depois que um adolescente de 17 anos confessou ser o autor dos disparos que mataram o policial militar Edvaldo Rozante Ribeiro.

O rapaz disse à polícia que foi contratado por Matilde, há quatro meses, para fazer o “serviço” por R$ 10 mil. A ocorrência foi registrada na residência do casal, localizada no Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000).

Durante o homicídio, ela também foi baleada no ombro e encaminhada ao Hospital de Base, onde permaneceu até ontem pela manhã. Rozante foi morto na cama com um tiro na cabeça e outro na face.

Seguro

A suspeita é que Matilde usaria o dinheiro do seguro do policial para pagar o adolescente. De acordo com a Polícia Militar, Rozante tinha um seguro particular em nome da mulher no valor de aproximadamente R$ 50 mil.

O montante só seria liberado caso a morte fosse investigada pela polícia e a hipótese de fraude fosse descartada, conforme explica a funcionária do departamento de sinistro de uma seguradora de Bauru, Mariana Betine.

“Dependendo de como foi a morte, aguardamos a conclusão do inquérito policial. Mesmo assim, sabemos que o número de fraude gira em torno de 20% a 30% dos casos, mas não temos como comprová-los. Aqui na seguradora ainda não enfrentamos o problema”, conta Mariana.

A família de Rozante terá direito à pensão do policial, mas o benefício não terá o valor integral de sua remuneração, conforme informa o comandante da 3.ª Cia, capitão Wellington Luiz Dorian Venezian. Segundo ele, foi instaurada uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte do policial.

Só tem direito ao seguro policial, a família do PM morto ou ferido em ato de serviço, esclarece.

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'Sem amor'

Ao contrário da afirmação de Matilde Pizinelli Ribeiro, sua cunhada Rosimeire Rozante Ribeiro Lima garante que nunca viu amor no relacionamento dela com seu irmão, o policial militar Edvaldo Rozante Ribeiro.

“Eu nunca fui amiga dela. Ficava revoltada com a situação (de conflito) entre eles, mas não acreditava que a coisa chegaria nesse extremo”, conta Rosimeire.

Segundo ela, uns dias antes do crime, Rozante teria dito que sairia de casa. “Eu o convidei para morar comigo. Ouvi dizer que ele tinha outra pessoa, mas ele era muito fechado e nunca comentou nada. Também existe um boato de que ela mantinha um outro relacionamento”, diz.

Rosimeire, que aguarda para esta semana a tutela dos três filhos do casal, conta que a cunhada é de poucas amizades.

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