Antes de passar pelo exame de corpo de delito para ser encaminhada ao Presídio Feminino de Cabrália Paulista, Matilde Pizinelli Ribeiro, 32 anos, concedeu entrevista ao JC. Ela nega participação na morte do marido, diz ser vítima de injustiça e afirma sentir falta dos filhos.
Ainda com o braço engessado e alegando sofrer com as dores decorrentes do disparo que a acertou no dia do assassinato do policial militar Edvaldo Rozante Ribeiro, Matilde reclama de abandono e afirma estar sem forças para lutar. Mesmo assim, ela se recusou a dar detalhes do dia do homicídio. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Jornal da Cidade – A senhora está sentindo alguma dor? Matilde - Estou péssima... principalmente porque estão me acusando de algo que eu não fiz. (...) Fiquei sabendo das acusações no hospital.
JC – Seus filhos foram visitá-la? Matilde – Soube que eles estavam proibidos de me ver. Estou sentindo falta deles, é a primeira vez que fico longe.
JC – A senhora e o Rozante brigavam muito? Chegavam à agressão física? Matilde – Todos os casais brigam, mas sempre resolvíamos nossos problemas. Agressões aconteceram, mas não eram constantes e não tinham acontecido recentemente.
JC – A senhora já constituiu advogado? Alguém a orientou a falar somente em juízo? Matilde – Ainda não tenho advogado e ninguém me orientou. É que meu marido era PM...
JC – A senhora então se sente injustiçada... Matilde – Claro né moça (começa a chorar). Eu não tenho por que estar aqui. Eles ouviram a versão de um marginal, não ouviram a minha versão... Dizem que a Justiça é cega, mas enxerga no escuro.
JC – O seu marido tinha outro relacionamento fora do casamento? Matilde – Tinha fazia uns dois anos. (...) Eu não estou acusando ninguém, mas uma vez por telefone ela disse que se ela não ficasse com ele eu também não ficaria. (...) Mas foi com ele que eu construí a minha família. Estávamos juntos há 15 anos. Nós planejávamos ir embora de Bauru.
JC – Ele tinha inimigos? Matilde – Todo policial tem né, moça... Ele era ameaçado de morte.
JC – A senhora acha que foi aquele menino que a acusou que entrou na sua casa? Matilde – Eu acho que não porque me disseram que o garoto que confessou é de cor e quem entrou em casa é branco.
JC – Como tudo aconteceu na noite no crime? (Alegando estar confusa pede para não falar sobre o assunto. Mas disse que naquela noite o casal dormiu em quartos separados porque um dos filhos pediu para ficar com ela).
JC – A senhora se sentiu abandonada pela sua família? Matilde – Me senti. A minha cunhada sabia o quanto eu gostava do irmão dela, mesmo assim me deu as costas.