O Geógrafo drº Milton Santos (1926/200l), ex-professor Emérito da USP, em seu livro “O Brasil: Território e Sociedade no início do Século 21”, afirmava: “Com a globalização, nas grandes cidades as desigualdades sociais tendem a aumentar. Sempre se tem dois tipos de capital: o capital máximo e o capital mínimo. O mínimo é o do ambulante e o máximo é o de um banco, provocando uma redução de poder político na ponta de baixo e um aumento de poder na ponta de cima e, consequentemente, uma verdadeira ingovernabilidade. Não há solução fora do socialismo, porque a sociedade já é socialista.”
Em sua visão, uma cidade quando é analisada a partir da dinâmica social, ela é perceptível pelas coisas que são fixas e pelas que se movimentam. As coisas que se movimentam é que dão valor às fixas. Para entender a vida no espaço urbano, é necessário jogar com ambas: é a geografia do movimento produzindo um retrato dinâmico, aí incluindo o dinheiro nas suas diversas formas, com sua grande mobilidade.
Nesse sentido, foi muito importante a realização da “1.ª Conferência Municipal da Cidade” em Bauru nos dias 28 e 29 de agosto, onde se procurou buscar, na discussão da problemática urbana básica - Habitação, Transporte e Saneamento Básico - a melhoria e humanização do espaço público, “construindo uma política democrática e integrada para a cidade de todos nós”, viabilizada através da implantação do Estatuto das Cidades. Coincidentemente, o JC de 31 de agosto, trouxe uma matéria pertinente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba): “A Planta Genérica de Bauru precisa ser aprovada com urgência”, de autoria do srº Vicente Aureli Leme, em que o articulista afirma ter participado de vários estudos para rever a planta genérica de Bauru, especificamente na avaliação dos valores do IPTU, que apresentam distorções muito grandes, ocasionando injustiça social e perda de receita para a cidade. Ainda segundo o mesmo, o projeto relativo à pesquisa, elaborado desde 1999, aguarda votação.
Nossa cidade, através dos segmentos envolvidos na iniciativa, está de parabéns. No entanto, é lamentável que esta Conferência, um evento tão importante, com sérias e profundas repercussões, atuais e futuras, em todas as camadas da sociedade, não tenha tido uma divulgação e dimensionamento maior, permitindo com isso análise e discussão mais ampla e profunda.
Tito Pereira - CRO/DF-546