Bairros

Maior bairro de Bauru não tem Speedy

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Os moradores do núcleo Mary Dota, o maior bairro de Bauru com 3.600 residências, estão excluídos dos avanços tecnológicos. Para eles, o acesso ao Speedy (conexão rápida de internet) está vetado. A Telefonica, prestadora do serviço, alega inviabilidade técnica.

Além da empresa propagar apoio a projetos de inclusão digital, o que aumenta a indignação dos usuários do Mary Dota é o fato de serem constantemente contatados por funcionários do telemarketing tentando convencê-los de que o serviço já está disponível.

“O que mais irrita é nos ligarem hora ou outra, que não são poucas, dizendo que a conexão já é possível para esta região. Avisamos que temos uma restrição técnica, mas mesmo assim eles afirmam que não. Nos fazem perder um tempão com cadastro. Depois, vamos para o suporte técnico e ficamos uma eternidade esperando na linha para confirmar o que já sabíamos: nossa linha não presta para o Speedy”, diz Maria Aparecida de Carmargo Barbosa.

A usuária demonstrou sua insatisfação na Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade, assim como Levi Giacovoni Hamad, que se interessou pelo serviço através de um encarte comercial enviado pela Telefonica. Quando foi comunicado de que a instalação seria impossível, a empresa se comprometeu procurá-lo assim que a conexão fosse certa, o que aconteceu em junho.

“Na transferência dessa mesma ligação fui informado que a restrição permanecia. A falta de sintonia entre os departamentos envolvidos é inadmissível. A Telefonica acaba discriminando a região do Mary Dota”, critica Hamad. Pensa de maneira semelhante Maria Aparecida. Para ela, num mundo onde a tecnologia avança dia após dia é imperdoável que a empresa “não cuide de algo tão simples”.

Incipiente

A assessoria de imprensa da Telefonica não soube precisar a causa da inviabilidade técnica, mas garante que a empresa tem interesse e está se esforçando para ampliar e modernizar a rede. Porém, não divulgou um cronograma indicando prazo para a resolução do problema. Também não informou quais outros bairros de Bauru sofrem com mesmo problema.

Há algum tempo, Hamad ouviu uma versão extra-oficial de que a distância entre o bairro e a central telefônica mais próxima (cerca de 10 quilômetros) seria o motivo para impedimento. Segundo esse comentário, o Mary Dota deveria estar pelo menos quatro quilômetros mais perto da central para contar com a conexão rápida de Internet. Porém, a assessoria da empresa descarta esse raciocínio.

“Independentemente do motivo que barra a instalação do serviço, acho que o caso deveria ser encaminhado a algum vereador. Talvez com pressão a solução seja mais rápida. Para mim, o fato de oferecerem e venderem um produto sem tê-lo para a entrega é propaganda enganosa”, dispara.

A assessoria de imprensa discorda e garante que tanto as peças publicitárias quanto os funcionários da empresa informam as exigências da empresa para a instalação do Speedy, além dos bairros onde o serviço está disponível.

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Procon

O oferta do Speedy em bairros onde a instalação está vetada não caracteriza propaganda enganosa (caso o usuário não tenha pago pelo serviço), mas pode resultar numa ação judicial no campo moral. A informação é do coordenador do Procon, Sílvio Orti.

Segundo ele, embora o serviço não tenha sido pago, a situação pode ensejar danos morais, porque o usuário cria uma expectativa com a facilidade.

“A pessoa acaba planejando a vida contanto com o serviço. A frustração atinge o campo moral e pode resultar em indenização”, diz. Por enquanto, o Procon não registrou queixas decorrentes do problema.

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