Nenhuma das 34 cidades da área da Agência Ambiental de Bauru, órgão da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), possui destinação adequada para o lixo hospitalar. Os resíduos de serviços de saúde são controlados apenas em Bauru e Jaú. Este foi um dos problemas discutidos no 1º Encontro do Centro-Oeste Paulista “Resíduos dos Serviços de Saúde”, encerrado ontem em Bauru.
De acordo com o gerente da Cetesb-Bauru, Rogério Chini, nos 34 municípios da região são produzidas cerca de quatro toneladas de lixo hospitalar das classes A e B, diariamente.
“Em Bauru e Jaú não é uma destinação correta, mas nós sabemos onde estão os resíduos. Em Bauru, há as valas sépticas no aterro sanitário, impermeabilizadas com asfalto diluído e cobertas com camadas de cal e terra. Jaú recebe os resíduos de todos os municípios da comarca, que são encaminhados para o incinerador do Hospital Amaral Carvalho”, relata Chini.
Ele esclarece que o incinerador de Jaú ainda não foi licenciado pela Cetesb, apesar de já estar operando corretamente. Nos demais municípios, com menor população, o lixo hospitalar é depositado junto ao lixo doméstico, nos aterros e lixões.
“O encontro serviu para mostrar a situação das cidades do Centro-Oeste. No Estado todo, apenas 104 cidades tem disposição final adequada para os resíduos. Com o evento, queremos que essa situação, a curto prazo, se modifique”, diz o assistente da direção de controle da Cetesb, Milton Norio.
No encontro, foram apresentadas aos participantes as melhores soluções, tecnologias e equipamentos para a destinação final correta do lixo hospitalar e dos resíduos. Norio afirma que o custo para a finalização nas diversas tecnologias varia entre R$ 1,50 e R$ 2,50 para o quilo de resíduos. “Não é uma solução cara. A decisão de instalar (um equipamento) no município depende do custo/benefício, levando em conta a operação, a manutenção e comparar com as prestadoras de serviço. Às vezes, é melhor terceirizar”, orienta.
Uma alternativa discutida no encontro foi a busca por uma redução na quantidade de lixo gerado em cada hospital ou clínica médica e na separação desses resíduos. Norio explica que o lixo da parte administrativa, por exemplo, se for separado corretamente, pode ser descartado como lixo normal ou até mesmo seguir para reciclagem. “Mas se for colocado junto com os resíduos do setor cirúrgico, tudo se torna grupo A. É importante esse pensamento, antes de escolher uma tecnologia de disposição final, de diminuir a quantidade de lixo”, afirma. Ele acredita que este processo pode reduzir em até 50% a quantidade de resíduos do lixo hospitalar.
O encontro contou com a participação de mais de 500 pessoas, entre representantes de prefeituras, secretarias de saúde e meio ambiente, administradores de serviços de saúde, hospitais, clínicas médicas, odontológicas e veterinárias e laboratórios. Segundo Nariagui Cavaguti, presidente da comissão organizadora do evento, estiveram presentes nos dois dias representantes de mais de 100 cidades do Centro-Oeste Paulista.
“É impressionante como um evento técnico conseguiu juntar tanta gente. Mesmo os representantes das empresas que estão aqui não esperavam uma procura tão grande. Foi uma ótima oportunidade para todos conhecerem os equipamentos, as tecnologias e as soluções para esse problema”, comenta.
Na opinião de Cavaguti, o encontro ofereceu a oportunidade dos participantes trocarem idéias e experiências para o problema do lixo hospitalar. “Essa situação não pode continuar assim. Para melhorar são esses os caminhos (apresentados no encontro), e você precisa do equipamento, da tecnologia, do dinheiro e dos recursos humanos. Espero que isso seja ótimo para melhorar a qualidade de vida das gerações futuras”, conclui.