Atualmente realizado de forma regular em apenas nove endereços do Serviço Social da Indústria (Sesi) no Estado, a partir de setembro deste ano o programa Alimente-se Bem com R$ 1,00 estará disponível em 29 municípios paulistas, totalizando 32 unidades com oferta dos cursos gratuitos. “É uma fase de expansão significativa, que traduz a relevância social que o programa vem conquistando onde é apresentado, desde sua criação”, explica Tereza Watanabe, diretora de alimentação do Sesi-SP.
Em Bauru, cidade na qual o programa já é oferecido desde 2001, a novidade fica por conta de mais vagas e horários de cursos a partir do próximo dia 16.
Para Zuleika Lea Lemos de Almeida Gonsalves, diretora do Sesi em Bauru, o programa Alimente-se Bem com R$ 1,00 vem ganhando notoriedade na região e muitos adeptos, justamente por seu conceito inovador, que promove alimentação saudável, econômica e ecologicamente correta.
Desperdício no Brasil
Focado na proposta do aproveitamento integral e apropriado dos alimentos, o programa é uma contribuição do Sesi para melhorar as condições de alimentação da população brasileira e também minimizar o quadro do desperdício que o País enfrenta nessa área. Algo paradoxal quando se pensa que essa mesma Nação tem o fantasma da fome a rondá-la em todas as regiões.
Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Ipea apontam que cerca de 22 milhões de brasileiros vivem na chamada situação de indigência, de extrema pobreza. São pessoas que não têm condições de consumir uma cesta básica mensal, garantindo a ingestão de 2.200 calorias diárias. Outras fontes vão além, muitas chegando a considerar que aproximadamente 50 milhões de cidadãos brasileiros passam fome.
De qualquer forma, trata-se de um triste quadro, agravado pela constatação de que 17% dos alimentos manipulados em casa vão parar, indevidamente, no lixo. O motivo, muitas vezes, é falta de informação sobre as possibilidades de utilização, incluindo-se aí cascas, talos, folhas e ramas desprezadas. Para se ter uma idéia, 60% do lixo domiciliar é composto por comida. Isso representa, a cada ano, um volume de 26,3 milhões de toneladas de restos de alimentos desperdiçados.
Outras estatísticas demonstram ainda que quantidade de alimentos em condição de consumo, enviadas para lixeiras domiciliares, é suficiente para alimentar 19 milhões de pessoas, com três refeições por dia.
Criado em 1999, o Alimente-se Bem com R$ 1,00 foi delineado a partir do trabalho de nutricionistas da entidade, que pesquisaram o preço de alimentos e passaram a desenvolver diversas receitas, feitas principalmente com cascas, talos, folhas e ramas dos alimentos. Segundo Tereza Watanabe, o conceito do projeto, de cunho educativo, é disseminar a proposta do aproveitamento integral dos alimentos, esquema que permite a redução do desperdício desses itens que apresentam alto teor nutritivo e rendem pratos saborosos. “Mas que, infelizmente, ainda não chegam à mesa dos brasileiros como deveriam.”
O Alimente-se Bem com R$ 1,00 funciona da seguinte forma: cursos gratuitos são ministrados em cozinhas didáticas do Sesi, com informações teóricas sobre os alimentos, além da parte prática.
O projeto envolve ainda nove restaurantes educativos abertos aos trabalhadores da indústria e pessoas da comunidade, nos quais os freqüentadores podem conferir muitas das receitas ensinadas nas aulas.
Desde que foram abertos até julho de 2003, já possibilitaram o fornecimento de 1,5 milhão de refeições. A refeição completa, incluindo salada, prato principal, sobremesa e suco custa R$ 2,00. Os restaurantes educativos estão instalados em unidades da Grande S. Paulo (Vila Leopoldina, Cidade A.E. Carvalho e Santo André) e do interior do Estado, (Jundiaí, Campinas, Ribeirão Preto, Bauru, Marília e Sorocaba).
“Esses espaços servem também como pontos de pesquisa para que as nutricionistas do Sesi-SP conheçam melhor o gosto dos freqüentadores e desenvolvam novas receitas”, explica Tereza Watanabe.
Outra frente do projeto são palestras e aulas ministradas em ocasiões como a tradicional Ação Global do Sesi, no espaço Criança Esperança (Jardim Ângela / SP) e na unidade móvel, hoje com apenas uma em operação mas que ainda este ano chegará ao número de quatro. Construídas no Centro de Treinamento Senai de Lençóis Paulista, as unidades móveis têm capacidade para que 30 participantes acompanhem cada uma da aulas ministradas em seu interior (até três por dia).