Economia & Negócios

Concorrência segura preço da gasolina

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O reajuste médio de R$ 0,03 a R$ 0,05 no preço final da gasolina, previsto para todo o País com o aumento do álcool anidro, não deve chegar a Bauru tão cedo. O motivo apontado por empresários do setor é a forte concorrência entre postos de combustíveis na cidade, além de “incentivos” por parte das grandes distribuidoras.

De acordo com a pesquisa semanal de preços feita pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e disponível no site do órgão (www.anp.gov.br), o preço médio da gasolina em Bauru é de R$ 1,98, verificado no período de 24 a 30 de agosto. O valor do litro do combustível, porém, já está acomodado em um patamar mais baixo. A reportagem do JC verificou que grande parte dos postos da cidade está com o produto a R$ 1,89.

Se por um lado a concorrência é positiva para o consumidor, os proprietários de postos estão trabalhando com uma margem inferior aos R$ 0,25 sugeridos pela ANP. Esse é o caso do empresário Edvaldo Tuschi, que conta estar recebendo gasolina a R$ 1,77. “Vendendo a R$ 1,89, dá R$ 0,12 (de margem). Menos da metade do que o governo pede para colocar a margem para poder pagar impostos etc”, diz.

Segundo Tuschi, a situação não é ainda pior porque as companhias estão segurando o preço de custo antigo na cidade - hoje, ele deveria ser de R$ 1,81. “Esse preço em Bauru é fictício”, diz ele. E completa: “A gente agüenta porque tem estrutura e acompanha com um produto bom”.

Outro empresário do setor, Waldis Bonatelli, também afirma que não há previsão de repasse do aumento para as bombas. “A tendência é de segurar (o preço). Principalmente na gasolina, não houve alteração”, diz. Ele declara estar recebendo gasolina já com um ligeiro aumento, a R$ 1,77, e vendendo a R$ 1,879.

Segundo Bonatelli, sua margem de faturamento já foi ainda menor que a atual. Na opinião dele, a quantidade de postos em Bauru é muito alta, o que faz com que o setor esteja sempre trabalhando no “risco”: ou com margens achatadas ou sujeitas à concorrência de postos com gasolina de má qualidade. “Dá para notar que alguns postos já fecharam, e outros estão com muita dificuldade”, diz.

O empresário Wagner Siqueira declara ainda não saber se haverá aumento, mas observa que a tendência é de segurar preços e diminuir margem para se manter dentro do mercado. Atualmente, ele está comercializando o litro da gasolina a R$ 1,89. Ele conta que está recebendo o produto da distribuidora a R$ 1,76.

Siqueira não descarta, porém, a possibilidade de que alguns postos possam reajustar seus preços na bomba. “Talvez até o fim de semana possa ter alguma novidade”, diz Siqueira. Mas observa: “Eu acredito que, com a guerra de mercado, isso (o reajuste) nem vai ser repassado para o consumidor”.

Entre os empresários consultados pela reportagem, o único que admitiu a hipótese de repassar o aumento foi Robson Mecca. Segundo ele, seu estabelecimento “não pode” segurar o preço - hoje em R$ 1,95 - por conta da concorrência. Mesmo assim, ele prevê reajuste apenas em 15 dias. “No nosso posto ainda não vamos repassar, porque temos estoque”, diz.

Por outro lado, quem tem carro a álcool já começou a sentir no bolso o reajuste. Na média, o álcool subiu R$ 0,03 por litro, passando a ser vendido a R$ 0,959. Mesmo assim, a variação de preços ainda é grande, devido ao produto mais barato comprado diretamente nas usinas da região.

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