Cultura

Artigo: Que tempos são esses?


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Tantas as coisas que nos amedrontam... Tantas as coisas que nos entristecem...

A vida está complicada, o mundo perdeu seus limites.

Os homens não se amam, crianças morrem de fome, a natureza dá o troco aos destemperos feitos em nome do progresso.

A violência nos assusta a todos. Se fôssemos parar pra refletir, fecharíamos as portas e daríamos todos os projetos como findos. Encerraríamos os sonhos num baú, e jogaríamos a chave no abismo. Fechados pra balanço!

Contudo, o ser humano tem uma capacidade infinita de enfrentar crises e problemas.

Continuamos a torcer pelo time preferido, a sonhar com as roupas da nova estação, a nos deslumbrarmos com o frio nas serras. Ainda nos comove ouvir Norah Jones cantar “Come away with me...”. Continuamos a trocar conversas em torno de uma xícara de café, e ousamos fazer alguns planos a curto prazo! E, esse prazo curto, não é culpa do tumulto do mundo, mas da rapidez do tempo, que a cada dia nos surpreende com sua velocidade assustadora. Nosso devir é hoje a noite, e não pensamos em mais nada! O que vier depois de amanhã é lucro certo!

Fico a pensar se esse continuar a viver nossa vidinha de cada dia, como se nada no mundo estivesse acontecendo, denota enorme coragem ou simplesmente alienação.

Isso dá pano pra muitas mangas, melhor deixar pra lá...

O que é certo, é que apesar dos dramas humanos, e da nossa desumanidade aparente, conseguimos colher algumas alegrias pelo meio do caminho, e as pessoas continuam amando, ou procurando o amor, rindo, se casando, e as crianças teimam em alegrar a vida, continuando a nascer.

Dentre essas coisas todas que citei, tive a grande alegria de receber das mãos da prefeita de Campinas, a medalha Carlos Gomes, para as pessoas que se destacaram em arte, trabalhando pela comunidade.

Foi um lindo momento, compartilhado com aqueles a quem amo. Afinal, todos sabemos que a felicidade é feita de momentos.

As atrapalhações da vida, a gente vai tirando de letra, e empurrando pra frente. O mundo não pára, nem espera ninguém.

Creio que todos merecemos um pouco de sonho, de carinho, de amor, de aplausos algumas vezes, já que das críticas nunca somos poupados...

Talvez as alegrias tenham um significado diferente em tempos difíceis.

Sei lá... O que importa mesmo é ter-se consciência do tesouro que algumas vezes nos caem às mãos, a pérola de grande valor de que fala a Bíblia.

E, prêmios à parte, de todos os valores deste mundo, pra mim, o maior deles, continua sendo o amor!

O amor é o “abre-te-sézamo” de todos os tesouros valiosos desta dura, mas querida vida.

A pérola sem preço!!!

A autora, Ercília Ferraz de Arruda Pollice, é escritora, poetisa e colaboradora do Ju Machado - Escritório de Arte.

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